21
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:22link do post | comentar | ver comentários (10)

Quando ouço falar de dietas – impostas por razões de saúde ou por imperativos de beleza –, pergunto-me muitas vezes de que alimentos facilmente abdicaria. Não sou um bom garfo, confesso, tão-pouco gulosa (os chocolates em minha casa duram séculos), pelo que, na verdade, acho que sofreria menos com restrições alimentares do que a maioria. E, contudo, há duas coisas que me custaria muito deixar de comer: uma são batatas fritas caseiras aos palitos (fininhos de preferência) e a outra essa suprema maravilha que é pão com manteiga. Um amigo diz que gostaria de ser padeiro, pois mesmo em tempo de guerra teria clientes... E o pão é, sem dúvida alguma, o alimento-base de muitos países – razão certamente por que em Portugal se usa na expressão «ganha-pão». Ora, para quem não sabe, existe em Seia um fantástico Museu do Pão, com quase tudo o que há para saber sobre a sua confecção, os seus cereais, a sua introdução nos hábitos alimentares humanos um pouco por toda a parte há muitos séculos. E digo «quase» porque o resto está no delicioso livro que vamos apresentar amanhã no dito museu, Pão & Vinho – Mil e Uma Histórias de Comer e Beber, de Paulo Moreiras. Se estiver nessas terras frias ou lá perto, venha sentir o calor de um forno e fazer-nos companhia.

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20
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:29link do post | comentar | ver comentários (48)

Hoje muitos escritores (sobretudo lá fora) são profissionais da escrita e vivem disso a tempo inteiro (a alguns pagam-lhes avanços chorudos sobre os direitos dos seus próximos livros, quantias que julgaríamos impensáveis fora do universo de Hollywood); mas nem sempre foi assim e, ao longo de séculos, os escritores tiveram profissões que frequentemente nada tinham que ver com o gosto pela escrita, podendo apenas exercitar a pluma nos tempos livres. Mas não seriam essas experiências laborais de algum modo enriquecedoras para a literatura dos próprios? Ou seja: teria escrito Melville o famoso Moby Dick se não tivesse trabalhado a bordo de uma baleeira, ou Dickens descrito tão magnificamente as crianças e os jovens da classe operária se não tivesse ele mesmo trabalhado numa fábrica logo aos seis anos de idade? Pessoa, já se sabe, era empregado num escritório bastante desinteressante, tal como Kafka era administrativo numa companhia de seguros; pode pensar-se que nada disto inspirava ambos, mas não teria sido o tédio destes lugares a desenvolver a veia criativa de ambos? Leio que Nabokov, quando se mudou para os EUA, era o curador de uma colecção de borboletas num museu universitário e que escreveu vários textos sobre borboletas e traças (a borboleta pode ser uma metáfora de Lolita, de resto). E Jack Kerouac lavou pratos – uma excelente iniciação para quem anda Pela Estrada Fora e tem de ganhar dinheiro rápido para alimentar os custos da viagem. Em suma, ter uma profissão «ao lado» será uma frustração ou um motor da criatividade?


19
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:27link do post | comentar | ver comentários (12)

Quando olho para trás, tenho a tentação de dizer que este foi o ano das selfies. A palavra entrou no nosso vocabulário à velocidade da luz e, suponho, já não sairá. Todos os famosos fizeram selfies, mesmo na cerimónia dos Óscares, e a moda pegou de tal maneira que dei comigo a perguntar se não é mais um sintoma da falta de atenção que damos ao outro e da egolatria da actualidade. Até porque descubro uma notícia de arrepiar os cabelos sobre uma holandesa que inventou um brinquedo para bebés de berço que, quando estes lhe tocam, lhes permite tirar selfies ou filmar pequenos vídeos que são automaticamente reproduzidos nas redes sociais. O New Born Fame – assim se chama a coisa – foi desenvolvido por uma holandesa, está disfarçado de peluche, mas é na verdade um brinquedo tecnológico com a forma do logo do Facebook e do passarinho do Twitter (ai, meus Deus!). Parece que 62 por cento das mães de crianças menores de três anos têm conta no Facebook e que, dessas, mais de 90 por cento publicam as fotografias dos seus rebentos; mesmo assim, parece-me uma tolice de todo o tamanho esta forma de captar imagens e ainda mais tolo meter a fama no nome do brinquedo. Enfim, não quero ser bota-de-elástico, mas às vezes penso que o mundo está mesmo perdido.


18
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:35link do post | comentar | ver comentários (11)

Há dois anos, João Rebocho Pais foi nomeado para o Prémio Mais Alentejo com o livro O Intrínseco de Manolo, cuja acção decorria em Cousa Vã, aldeia alentejana da Raia; o prémio foi instituído pela revista com o mesmo nome, que atribui anualmente galardões em muitas áreas da cultura e da cidadania e organiza uma gala com direito a roupa chique e apresentadores da televisão, bem como uma assistência cheia de ilustres (incluindo alguns políticos de renome). O livro não ganhou e tanto eu como o autor apanhámos uma chuvada em Évora de que nunca mais nos esqueceremos. Arrumei o assunto, mas eis que este ano a história se repetiu e foram nomeados quatro autores meus (Cristina Drios, Gabriela Ruivo Trindade, Carlos Campaniço e de novo João Rebocho Pais – em suma, não conheço as pessoas que escolhem os nomeados, mas tinha quatro finalistas em cinco, o que me pareceu simpático da parte deles). Não participei da gala, que decorreu em Beja no fim do mês de Outubro, mas devia ter ido porque arrecadou o prémio o livro Mal Nascer que, nunca referindo o local da acção, parece aos olhos de todos passar-se no Alentejo, donde o autor é oriundo. No fundo, acho que foi bonito a revista não se esquecer dos filhos da região (e, como o Carlos Campaniço mora no Algarve, foi um regresso a casa) e mando daqui os parabéns ao premiado.


17
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:24link do post | comentar | ver comentários (22)

Estamos, mais coisa menos coisa, a meio do mês – e prometi brindar-vos todos os meses com um post sobre palavras e expressões que estão a cair em desuso para que se sirvam delas e não as deixem morrer. Devo dizer que tive de suar as estopinhas para trazer aqui coisas que façam mesmo saudades (isto porque, no mês passado, uma leitora deste blogue que conheci no Museu do Fado disse-me que ainda usava todas as expressões que aqui postei – e era bastante jovem; Que topete!, diria a minha avó). Resolvi por causa das tosses cavar então mais fundo (apetecia-me dizer que tive de porfiar, mas se calhar ainda toda a gente usa este verbo). Assim, lembrei-me da palavra rajado (que quer dizer às riscas, conheciam esta?), de entanguido (tolhido de frio), de dadivoso (generoso), de sacripanta (sacrista também está a desaparecer) e de bonifrates (pessoa com um ar ridículo). Descobri também que os mais novos não têm ideia nenhuma do que é flostria (folgança), empáfia (soberba) ou frioleira (insignificância, mas também podia ser bagatela, outra palavrinha curiosamente esquecida das conversas) e que provavelmente já não vão dizer que comeram à tripa-forra, ou andaram de carro na bisga, ou fizeram uma coisa a trouxe-mouxe (de qualquer maneira). Em completa extinção está a expressão a sério, porque infelizmente já miúdos e graúdos dizem à séria, o que é um disparate pegado. E com esta me vou, para o mês que vem há mais.


14
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:36link do post | comentar | ver comentários (20)

Deixei passar duas semanas desde o post «Parentescos» – e pode até parecer que quis pensar no assunto (o que não é inteiramente falso) mas, por acaso, não foi só isso. A verdade é que tive um problema com o meu computador profissional durante vários dias e, sempre que punha o endereço do Horas Extraordinárias, aparecia-me um post antigo e, quando a coisa se parecia ter resolvido, o post era o do dia, mas os comentários estavam escondidos. Só quando chegava a casa podia lê-los, mas nessa altura estava demasiado cansada para me meter ao barulho e sabia que provavelmente também os autores dos comentários já não regressariam ao blogue àquela hora. Mas fiquei a matutar em algumas coisas, achando que mereciam, apesar de tudo, uma achega. Então, aqui vai:

 

  1. Os concorrentes ao Prémio LeYa fazem-no sob pseudónimo. Abre-se apenas o envelope do premiado (depois de o júri decidir qual o original vencedor, vai buscar-se o envelope correspondente). A escolha é, portanto, cega. Basta, de resto, o número de escritores desconhecidos que o têm ganho para o comprovar. Depois de aberto o envelope, o presidente do júri, Manuel Alegre, telefona ao vencedor e dá-lhe a boa notícia. Suponho, embora nunca tenha assistido, que conversem ambos uns minutos e que desta conversa surjam elementos curiosos, engraçados ou mesmo dramáticos. A seguir é feita a divulgação oficial, com a presença da comunicação social, que faz perguntas aos jurados sobre a obra e sobre o vencedor. Os jurados respondem. (O tratamento dessa informação é da exclusiva responsabilidade de quem o veicula.) Posteriormente, é publicada a lista de obras finalistas (com o respectivo pseudónimo) no sítio da LeYa. Os finalistas normalmente acusam-se, até para saberem se o seu livro vai também ser publicado (nem sempre é). Todos os restantes originais e envelopes vão para o lixo (não muito depois, porque ocupam quase uma sala inteira e essa sala é precisa). Concordo que os livros vencedores devem valer pelo seu conteúdo, e não por qualquer circunstância relativa ao autor (refiro-me aos comentários sobre o «desempregado» ou «o trineto de Eça»), até porque, quando o júri os escolheu, não sabia se os seus vencedores estavam empregados nem de que família eram. Porém, se a informação veiculada sublinha pormenores irrelevantes, parece-me que é porque não pode falar do que importa – o livro – uma vez que este ainda não foi publicado.
  2. Quanto à minha condição de editora e aos meus autores, coisa que lançou muito azedume entre defensores e atacantes, quero explicar que nunca me achei uma editora de excelência (se o fosse, acertaria sempre – e falho muita vez); que tenho um enorme carinho pelos meus autores e admiro o seu talento, mas que há muitos escritores que não são «autores da Rosário» de que gosto e que considero tão ou mais talentosos do que os meus; que ser «autor da Rosário» é, segundo se leu nos comentários, um pau de dois bicos e, portanto, não necessariamente vantajoso (às vezes os autores que publico apanham por tabela); que, ao contrário do que aqui se escreveu, os meus autores também não são «os mais populares» (a grande maioria, pelo menos, embora alguns autores de quem publiquei os primeiros livros sejam hoje muito populares), até porque normalmente só se é popular ao fim de várias obras, prémios, distinções, etc.
  3. Quanto a este blogue, nunca o anunciei como literário (o prémio que me deram não é da minha responsabilidade e, antes de mim, foi ganho por outros blogues igualmente não literários; talvez seja o nome do prémio, enfim, o que está errado), mas um espaço para falar de livros e de coisas a eles ligadas (como a edição).Se falo mais dos livros que publico do que dos de outras editoras, é também porque as minhas horas extraordinárias são poucas para ler outras coisas além das do trabalho; mas basta ir ao arquivo para ver que já falei de muitos livros que não são da LeYa, omitindo apenas aqueles de que não gostei, porque me parece pouco ético falar mal de livros da concorrência e, por outro lado, o objectivo deste blogue é partilhar horas extraordinárias, e não horas más (aliás, também nunca refiro livros da LeYa de autores de que não gosto, só faço «publicidade» àquilo de que gosto).
  4. Por último: neste blogue há espaço para todos os que quiserem vir, gostem de mim ou não, mas não é preciso – diria eu – insultar ninguém nem perder as estribeiras. Nunca limpo os comentários contra mim, já aqui o escrevi uma vez, mas limpo os que considero demasiado ofensivos para algum comentador, e tive de eliminar um no post que gerou esta minha explicação, porque era mesmo reles.

 

Obrigada, em todo o caso, por me darem assunto para um post (nem sempre tenho ideias boas). E já me alonguei tanto que hoje me vou dispensar de responder a comentários. Até segunda e bom fim-de-semana.


13
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:33link do post | comentar | ver comentários (11)

Sabe quem lê que a leitura só traz benefícios, até porque aprender é maravilhoso. O que não é fácil é convencer disso quem diz que não gosta de ler e quem nunca experimentou porque lhe cheira que implica esforço e trabalho e não acredita na recompensa. Faz-se de tudo pelo mundo fora – e desta feita o Canadá montou uma campanha nacional em colaboração com a CBS Books para mostrar que a leitura traz saúde. Construído um gráfico atraente que foi colado por tudo quanto é sítio, nele podemos ver que quem tem hábitos de leitura goza claramente de melhor saúde física e mental, além de provocar mais facilmente empatia nos outros; que bastam seis minutos de leitura atenta para reduzir o stress em 60%, diminuir a tensão muscular e acalmar os batimentos cardíacos; que, para acabar com o stress, a leitura é de facto muito superior a tomar um chá, ouvir música e, principalmente, jogar videojogos. Enfim, além de que ler um livro de que gostamos é uma sensação de deslumbramento incomparável e que saber mais dá muitíssimo gozo (e a felicidade dá saúde também). Agora, quando vejo gente muito mal-encarada, pergunto-me logo se serão não-leitores... O cartaz, se quiserem ver, está no seguinte link:

 

http://www.teleread.com/reading-2/canadas-national-reading-campaign-shows-reading-good-body/


12
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:29link do post | comentar | ver comentários (30)

A minha avó costumava dizer que cada maluco tem a sua mania. Pois bem, não querendo chamar malucos aos escritores, leio num blogue que vários autores tinham idiossincrasias e que a escrita de um livro obedecia a uns quantos tiques. Nabokov, por exemplo, escrevia com lápis (o que não o fez apagar cenas que nos EUA foram consideradas chocantes – Lolita foi publicado originalmente em França), objecto usado igualmente por Hemingway que só depois do primeiro rascunho passava à máquina de escrever. O lápis era também a ferramenta de escrita de Steinbeck, que trabalhava com caixas de 24 lápis e terá, ao que parece, gasto 300 lápis para concluir A leste do Paraíso. Entre os aficionados da tinta permanente estão Simone de Beauvoir, Dylan Thomas ou o escritor de livros de terror Stephen King – que usa desde sempre um modelo da marca Waterman. Dickens preferiu a cor preta até 1840, após o que passou a escrever a azul. Mark Twain fabricava os seus próprios blocos, enquanto Jack Kerouac tendia a escrever em cadernos escolares. Cormac McCarthy era um adorador da máquina de escrever Olivetti, e o seu último exemplar (imagino que se tenha rendido aos computadores) foi leiloado por mais de 250 000 dólares! Eu só escrevo a preto e aprecio muito as macias Uni-Ball Eye; além disso, tenho sempre um daqueles minicadernos na mala para ir apontando coisas de que me vou lembrando. Qual é a sua mania?


11
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:28link do post | comentar | ver comentários (17)

Nesta profissão que escolhi – e que, em boa parte, está ligada ao talento alheio – encontrei pessoas de todos os géneros e feitios. Com algumas, foi muito fácil trabalhar – e nem se pode dizer que eram mais humildes (não, o ego estava lá), mas eram seguramente mais abertas e inteligentes; noutros casos, o trabalho foi sempre acidentado, com curvas apertadas e lombas permanentes, obrigando frequentemente a frustração, cedência e, uma vez ou outra, mau génio ou tristeza da minha parte. Aqui e ali, sobressaiu um desejo cego de se ser admirado pelo público, não um desejo normal que deve ser comum a todos os criadores, mas uma vontade quase doentia de reconhecimento (poucas vezes, claro, mas inesquecíveis). Eu, que sou principalmente leitora, nunca me prestei muita atenção como escritora. Claro que me magoo com certas reacções, mas sou, acho eu, bastante discreta quanto à minha obra (há até quem diga que não a levo a sério, mas não é verdade). A minha mãe, por exemplo, ofende-se quando não a previno de uma entrevista que fui dar à televisão, entrevista essa que apanhou por acaso e já a meio. Pois há uns dias, num desses momentos em que estava irritada com alguma coisa e não me conseguia concentrar em mais nada, pus-me a jogar uma daquelas paciências com cartas de jogar no computador e, quando terminei o primeiro jogo, saltou um quadrado a meio do ecrã a dar-me os parabéns por ter cumprido, a dizer-me qual era a minha pontuação e a oferecer-me uma estranha possibilidade: Tell friends. Contar aos amigos que fiz uma paciência? Para quê? E de repente lembrei-me de algumas pessoas que no passado se cruzaram comigo nesta profissão e que dariam tudo para «tell friends» qualquer merdilhice de que fossem capazes... Enfim, cada um é como cada qual.


10
Nov 14
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:35link do post | comentar | ver comentários (5)

No tempo do surrealismo, inventou-se em França uma espécie de jogo literário que, apesar da tradução defeituosa (exquis quer dizer de sabor refinado, requintado, e não esquisito), ficou conhecido entre nós como «cadáver esquisito». Um poeta escrevia um verso numa folha de papel, dobrava-a, escondendo o texto, e passava a outro, que fazia o mesmo; no fim, tinham um poema colectivo (e certamente surrealista). Por cá, tivemos experiências baseadas neste princípio do texto a várias mãos, mas com o texto à vista, e lembro-me por exemplo de Alice Vieira, João Aguiar, Leonor Xavier e Rosa Lobato Faria terem participado num livro intitulado Treze Gotas ao Deitar (não me recordo dos outros autores) que, na verdade, era uma só história com cada capítulo escrito por seu autor. Mas parece que agora quinze escritores internacionais de renome foram desafiados a, e aceitaram, brincar ao cadáver esquisito, escrevendo uma pequena história comum. Entre eles encontramos autores mais literários, como Zadie Smith (conhecida sobretudo por Dentes Brancos ou Uma Questão de Beleza) ou Nicholson Baker (um escritor muitíssimo «fora do baralho» que escreveu, entre outros, um livro muito original cuja acção decorre enquanto um pai dá um biberão à filha, Room Temperature) e autores de ficção mais comercial, como David Baldacci (um inventor de thrillers) ou R. L. Stine (o popular criador da série juvenil Rua do Medo, não sei se se recordam, que entrou para o Guinness por ter vendido mais de 400 milhões de exemplares de obras suas). Não consigo imaginar o resultado que isto vai dar, mas tinha alguma piada fazer uma coisa parecida com portugueses que estivessem para aí virados.


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