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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Dez11

Irmãos na desgraça

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui aludi a um acontecimento dedicado às letras a que recentemente assisti na Cidade da Praia, em Cabo Verde. O convidado especial era, nesta primeira edição da Festa da Palavra, o Ceará, e – para falar com franqueza – não tinha ideia nenhuma de que havia uma afinidade entre este Estado brasileiro específico e o arquipélago, mas parece que é até bastante antiga. Aprendi, aliás, uma enormidade de coisas numa palestra muito interessante proferida por Simone Caputo Gomes, professora universitária em S. Paulo e especialista em literatura cabo-verdiana, sobre a irmandade das duas culturas. É que, tanto no Nordeste brasileiro como em Cabo Verde, a seca é recorrente, e os romances e poemas de ambos os lados do Atlântico (o Ceará é o estado brasileiro mais próximo do arquipélago) reflectem sobre essa circunstância e, pelos vistos, de forma muito obsessiva. Simone quis até citar uma canção cearense que bem podia ter sido escrita por um autor cabo-verdiano para ilustrar as parecenças. Porém, como o jovem que apoiava a sessão no auditório não percebia grande coisa de informática e trocava sistematicamente a peça musical pela música do próprio telemóvel – gerando umas gargalhadas –, a professora cansou-se e cantou ali em directo a canção Asa Branca sem inibição e com aquela graça que os brasileiros têm quando cantam. Foi um sucesso!

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