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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

10
Abr12

Dez anos depois

Maria do Rosário Pedreira

Quando comecei a editar literatura portuguesa na Temas e Debates, Paulo Moreiras foi um dos meus primeiros autores. Fora selecionado, entre muitos candidatos, pelo Instituto do Livro e das Bibliotecas para uma bolsa de criação literária, que durante uns meses o aliviou na compra de muitos livros antigos em alfarrabistas e lhe permitiu escrever o seu primeiro romance picaresco, intitulado A Demanda de D. Fuas Bragatela. Trata-se de um texto absolutamente excepcional, que lhe valeu críticas muito elogiosas, entre as quais a do «melhor romance histórico da década»; é, de facto, um notável retrato do Portugal medieval feito com um humor contagiante – e recuperando uma linguagem que, infelizmente, caiu em desuso – que põe em cena um portuguesinho que não quis ser alfaiate e partiu à aventura, cruzando-se com alcoviteiras, meirinhos corruptos, padres que vendem parcelas de céu e muitas outras figuras que bem podiam ter saído de um auto de Gil Vicente. Recentemente, um grupo de teatro de Pombal levou à cena uma adaptação do livro feita pelo próprio autor, com casa cheia. Dez anos depois, aqui temos então de novo o Bragatela, havia muito esgotado, com uma capa que não fica nada atrás da primeira. (Permitam-me uma nota pessoal: Caro António Luiz Pacheco, este é daqueles livros que não pode perder.)

 

 

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