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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Abr12

O pior não são os autores

Maria do Rosário Pedreira

Mario Muchnik, um editor espanhol que trabalhou em grandes casas da literatura como a Seix Barral, do grupo Planeta, deu o título O Pior não São os Autores àquilo que chamou depois, mais concretamente, a sua autobiografia editorial. Homem experiente que conheceu dezenas de escritores importantes ao longo da vida (como Cortázar, por exemplo), descreve nestas suas memórias cronológicas a relação que estabeleceu com eles, querendo, porém, com o título afirmar que foram bem mais pacíficas do que as que manteve com quem o empregava. E, contudo, a frase escolhida não deixa de implicar que os autores são proverbialmente difíceis, exigentes e chatinhos com os seus egos tantas vezes inflamados. Sei de muitas histórias de escritores assim, evidentemente, mas, talvez porque a dada altura tenha optado por publicar os mais novos, na verdade não me posso queixar. Raramente os meus autores me dão água pela barba ou se armam em génios, nunca me inundaram com pedidos estapafúrdios ou exigências tolas, não são do tipo de vir chorar no meu ombro quando têm um bloqueio ou a crítica lhes dá uma catanada, enfim, se olhar para estes últimos dez ou doze anos, tenho de considerar-me uma sortuda (mesmo que não me esqueça de um ou outro momento mais crítico, como a ocasião em que um autor me pediu por telefone que metesse uma cunha para o seu livro receber determinado prémio…). Claro que a empatia não se estabelece com todos da mesma maneira e, como em tudo na vida, há uns que nos caem logo no goto e outros de quem nunca matamos uma certa distância reverente ou cerimoniosa. Mas não é isso que nos impede de trabalhar como é preciso e, se tudo continuar a correr assim, até poderei dizer um dia que o melhor de tudo foram os autores.

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