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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Abr12

Maturidade

Maria do Rosário Pedreira

Há muitos anos, mais de vinte, traduzi um livro absolutamente notável de Primo Levi. Tinha o italiano ainda fresquinho e disponibilidade para me dedicar a um trabalho moroso e mal pago nas poucas horas que tinha livres. A obra chamava-se O Sistema Periódico e foi publicada no início dos anos 90, numa altura em que os romances de Levi fizeram sucesso (o lançamento do livro foi, de resto, no Instituto Italiano em conjunto com o de Se Isto É Um Homem). Recentemente, foi decidido reeditar esta autobiografia que se lê como um livro de contos, usando a minha velhinha tradução. E, porque tenho amor à pele, pedi um tempo para a rever com mais vinte anos de leituras e vivências em cima. E ainda bem: porque, apesar de o revisor ter dito que estava óptima, a verdade é que encontrei bastantes marcas da minha falta de maturidade, a maior das quais ter tido medo de usar a palavra «judeu» no livro inteiro, usando em vez dela «hebreu» porque os italianos usam «ebreo»... E, entre outras parvoíces, deixei Richiamo alla Foresta numa passagem que falava justamente de uma personagem de O Apelo da Selva, de Jack London. Claro que muita gente acha que o livro deveria chamar-se A Tabela Periódica, e não o Sistema – e pensam que isso foi também má tradução; mas a verdade é que se Levi quisesse ter-lhe chamado «Tabela» tinha a palavra italiana para tal. Não sei se, desta feita, ainda ficou muita coisa imperfeita, espero que não. Em todo o caso, deu para ver que envelhecer tem um lado positivo, afinal de contas. Do livro falarei um dia destes, quando estiver à venda.

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