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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

27
Abr12

Fim em beleza

Maria do Rosário Pedreira

Só recentemente pude meter a mão no vencedor do Man Booker Prize do ano passado, que alguns dos leitores deste blogue, mais sortudos do que eu, já tiveram ocasião de ler. Trata-se de O Sentido do Fim, de Julian Barnes, um romance absolutamente imperdível que, por qualquer razão, me fez lembrar também A Praia de Chesil, de Ian McEwan, galardoado, julgo, com o mesmo prémio (talvez as restrições à prática sexual antes do casamento, mas seguramente outras coisas mais). Para além do facto de os ingleses escreverem muito bem (a sua narração é tão fluida que somos arrastados do princípio ao fim sem darmos conta), Barnes é um ás a descrever sensações com poucas palavras, neste caso as de um homem que já foi rapaz, já teve um amigo que admirava, já teve uma namorada que desprezou com uma carta que nem era para ela, mas para esse amigo que se suicidou exactamente pelas mesmas razões que um outro colega de ambos o fez uns anos antes – e que não se podem aqui contar. Notável entre todas, a relação do protagonista com a ex-mulher, um desses amores que duram toda a vida sem sofrerem a mácula da separação e da troca. Com um fim algo trágico, mas extremamente belo, este O Sentido do Fim faz-nos compreender como um relacionamento de juventude, ainda por cima curto, pode minar a vida de um sexagenário até que alguém o leve a entender que é mesmo preciso que certas coisas terminem. Excelente leitura.

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