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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Jun12

Pessoa apaixonado

Maria do Rosário Pedreira

Há pouco tempo, publiquei aqui no blogue um post sobre o presumível fim de toda a correspondência publicável (a maioria dos e-mails não o serão, tenho quase a certeza); e parecia de propósito, nesse mesmo dia chegava às minhas mãos o volume que reúne a correspondência trocada entre Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz, editada por Manuela Parreira da Silva e publicada recentemente pela Assírio & Alvim, que tem vindo a dar à estampa toda a obra do grande Pessoa. Chama-se Cartas de Amor de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz e, portanto, tem a respectiva leitura qualquer coisa de acto coscuvilheiro, pois não se trata apenas de literatura, mas de um universo pessoal e literariamente despreocupado (quiçá até um pouco ridículo, já que, segundo o Campos heterónimo, todas as cartas de amor acabam por sê-lo) que nos deixa ver ou, pelo menos, pressentir como era o génio quando gostava de alguém a sério. Acho uma felicidade que as cartas que o «Fernandinho» escreveu a Ofélia tenham sobrevivido e chegado até nós, já que as da própria Ofélia (o «Bebé») estariam, naturalmente, nas várias arcas do poeta de que já ouvimos falar. E, mesmo que esta não seja a primeira edição da correspondência, a verdade é que as cartas de uma e do outro só haviam sido publicadas separadamente, o que estraga completamente a perspectiva do namoro, aqui assegurada pela publicação cronológica das epístolas. Deliciemo-nos, pois, com um Pessoa apaixonado e uma rapariga que confessa, logo a abrir, que só não saiu do escritório onde ambos trabalham (podendo ganhar noutro bastante mais) por causa desse homem que fez de Portugal um país maior.

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