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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Set12

Dramalhão

Maria do Rosário Pedreira

Há de certeza boas razões para lermos alguns livros em determinada idade, e não noutra. E isto é válido para aqueles que só compreendemos inteiramente na maturidade, como o é para os que, depois de lida tanta coisa, acabam por nos parecer de alguma forma datados, pueris ou exacerbados demais para o nosso gosto adulto. Porém, não queria sair deste mundo sem ler O Monte dos Vendavais (sei lá eu bem agora porque não o li em adolescente), de Emily Brontë, e decidi fazê-lo nas últimas férias com a sensação de que os clássicos são leituras seguras e nunca nos desapontam. Mas, oh, o dramalhão de faca e alguidar que me esperava estava bastante longe dos meus planos estivais… Amores arrebatados e castigadores, vinganças que incluem violência verbal e física constante, humilhações de toda a espécie (sobretudo por parte de quem já foi humilhado), mortes camilianas ou semelhantes, enfim, quase conseguimos visualizar as cenas no palco de um teatro e ouvir os pontos de exclamação no fim das falas, de tal forma tudo está carregado de drama pungente. Confesso que, ao contrário do que Clara Ferreira Alves vaticinava um dia destes no Expresso, não me apaixonei por Heathcliff, o mau da fita, embora me tenha interessado esta abordagem da luta de classes, escrita no princípio do século XIX por uma mulher educada com mão de ferro e até por isso corajosíssima. Mas preferia tê-lo lido aos quinze anos, confesso, pois a verdade é que não me encheu as medidas…

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