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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

19
Nov12

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Maria do Rosário Pedreira

Os livros hoje têm uma vida curtíssima, porque outros rapidamente ocupam o seu lugar no espaço onde são vendidos e nos nossos desejos acendidos por entrevistas e artigos portugueses e estrangeiros. Alguns, porém, quando os julgávamos mortos e enterrados, regressam à base como uma espécie de fantasmas que não gostaram de ser esquecidos. Há para aí uns dez anos, publiquei, na Temas e Debates, um romance histórico chamado O Segredo da Bastarda, da escritora argentina radicada em Portugal Cristina Norton, que vendeu seis edições num virote mas, como muitos outros, acabou por desaparecer das livrarias ao fim de uns meses. Eis, no entanto, que o descubro agora no programa de um colega da Oficina do Livro, de cara lavada e, pelos vistos, revisto e ampliado, pronto a concorrer mais uma vez com as novidades e oferecendo-se, tentador, aos leitores que gostam do género histórico, mais ainda quando a acção e as personagens são portuguesas. Que os nossos reis tinham filhos fora do casamento, todos sabíamos, mas é voz corrente que D. João VI foi tantas vezes enganado pela sua Carlota Joaquina que dele não se esperavam bastardos (enteados, sim). O romance de Cristina Norton não é, no entanto, uma ficção completa, pois baseia-se em documentos encontrados numa outra investigação que provam que o monarca que fugiu para o Brasil com a sua corte também fez, afinal, das suas no campo da alcova. Com belas descrições da vida da bastarda durante a infância no país irmão e do choque do regresso à pátria cinzentona onde se torna próxima da rainha (e do rei, o que já não foi assim tão bom), este livro agradará certamente aos que apreciam ler sobre a História de Portugal e dos seus reis e súbditos. Promete-se um final levemente camiliano.

 

 

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