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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

22
Jul10

Memórias de outra pessoa

Maria do Rosário Pedreira

Nós, editores, criamos empatia com os autores que publicamos e, com o tempo, essa empatia torna-se um laço menos lasso, mais apertado; por isso, quando a vida nos faz decidir mudar de editora, existe esse momento difícil em que perspectivamos ter de nos separar dos autores com os quais estabelecemos amizade. Quando saí da Temas e Debates em 2004, o Miguel Real foi mais ou menos forçado a lá continuar a publicar os seus livros, até porque uma cláusula do contrato que assinara assim o exigia; mas, para bem dos meus pecados, disse que, nesse caso, poria o livro numa gaveta e o filho lho publicaria depois da sua morte. Estou-lhe, obviamente, infinitamente grata. Até porque, além desta prova de amizade, continuo a ser provavelmente a primeira pessoa a ler os seus romances, o que considero um enorme privilégio. O próximo (que sairá em Setembro) chama-se As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia e conta a história de um manuscrito encontrado em Sófia pelo próprio autor (como foi esse manuscrito lá parar não posso dizer) em cujas páginas se podem ler as memórias de D. Amélia (que viveu, pasme-se, até 1951 e, por isso, assistiu, para além da morte do marido e do filho, à implantação da República, ao Estado Novo e a duas guerras mundiais). O início do livro é de um extraordinário fulgor, a descrição do 25 de Abril como um autêntico «rasgão no tempo». Está a perguntar-se o que tem a revolução dos cravos que ver com as memórias da rainha? Espere por Setembro. O romance vai responder-lhe a isso e a muito mais.

 

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