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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Nov12

Paixões proibidas

Maria do Rosário Pedreira

Hoje à noite estarei pela primeira vez no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira. É uma vergonha, eu sei, mas a verdade é que ainda não tinha arranjado tempo para lá ir e o pretexto apareceu agora. No ano passado, lancei um romance de Ana Cristina Silva intitulado Cartas Vermelhas, que se baseia na história verdadeira de Carolina Loff, militante comunista que se apaixonou por um agente da PIDE e, contra todas as expectativas, abandonou as suas funções (era, inclusivamente, espia) para viver com esse homem que a interrogara na prisão (e que também acabou por deixar a família por causa desse amor). Ana Cristina Silva confessou, por ocasião do lançamento público deste romance em Lisboa, que gosta de escrever sobre os conflitos interiores e as contradições deste tipo de personagens (é doutorada em Psicologia, o que pode explicar, pelo menos em parte, esse fascínio) e que, assim que ouviu falar de Carolina Loff, percebeu que não resistiria a dedicar-lhe um romance. Embora a investigação não tenha sido propriamente fácil (ninguém gosta de falar de traidores), a autora supriu as dificuldades com muita imaginação, reconstituindo, em capítulos que atravessam o romance e antecipam os que se referem cronologicamente à sua vida, o encontro de Carolina com a filha que abandonara na União Soviética em criança e só voltaria a ver com vinte anos. Finalista na mais recente edição do Prémio Literário Fernando Namora, Cartas Vermelhas será hoje apresentado no Museu do Neo-Realismo, às 21h30. Se estiver perto de Vila Franca, não perca.

 

 

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