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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

24
Jul10

Livros de comer e chorar por mais

Maria do Rosário Pedreira

Gosto de livros de cozinha e sempre me relaxou ler de uma ponta à outra receitas que nunca me atreverei a experimentar – na verdade, só cozinho em última instância e sempre coisas triviais (cozidos e grelhados). Embora não seja também um bom garfo, delicio-me com as fotografias desses livros, admirando quem produz aquelas esculturas comestíveis sempre com o pezinho de salsa no sítio certo e legendas que falam de molhos, coberturas e caldos de um modo que se podia dizer quase sensual. Mas quem cozinha e gosta de comer garante-me que não há bíblia como o velhinho Pantagruel que, quando eu estava na Temas e Debates, se vendia às dúzias na Feira do Livro a todas as raparigas e rapazes casadoiros. E esse não tem retratos estimulantes, mas apenas – aqui e ali – uma pequena ilustração com um sabor antigo. O resto são receitas, acho que 1500 ou mais. A mecânica do livro é que não é imediatamente inteligível, porque, por exemplo, a receita de bacalhau gratinado no forno remete para o número da receita do molho bechamel (necessário para o gratinado); mas a maioria das cozinheiras julga que se trata de um número de página e nunca encontra à primeira o que procura. No tempo em que eu estava na Temas e Debates, houve uma senhora que não conseguia entender-se com as remissões e me telefonou tantas vezes na mesma semana com a mesma dúvida que a fiz prometer que me convidava para almoçar quando se norteasse. A verdade é que ainda estou à espera.

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