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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Dez12

Preconceitos

Maria do Rosário Pedreira

Toda a gente sabe que a melhor forma de difundir uma ideia, um produto, seja o que for, é pela televisão, que está acesa todos os dias em casa de milhões de pessoas. Mas, curiosamente, mesmo os autores que ajudam muito a promover os respectivos livros, quando são convidados para participar em programas ditos populares, desses que preenchem as manhãs ou as tardes dos desocupados, raramente aceitam, crentes talvez de que a sua imagem – e os seus livros – nada têm a ganhar com o sacrifício, até porque a grande maioria dos que vêem televisão a essas horas são provavelmente os que têm menos hábitos de leitura de todo o País. Curiosamente, fui há uns quinze anos ao Porto participar no Praça da Alegria, nessa altura apresentado ainda por Manuel Luís Goucha. E não só nunca fui tão bem tratada em televisão, como me dei conta de que toda a equipa era de um profissionalismo difícil de igualar (lembro-me, por exemplo, de que o apresentador telefonou à minha mãe uns dias antes de eu ir ao programa – e não fui eu que lhe dei o número – e perguntou tudo sobre a minha relação com os livros desde pequena para poder sustentar a conversa sem hesitações ou lapsos desnecessários). Pouco antes, tinha ido a um outro programa, este mais intelectual, participar numa mesa-redonda sobre o imaginário infantil; e o conhecido jornalista que o conduzia, uns minutos antes de começar a emissão, andou a perguntar os nomes dos intervenientes, como se não tivesse sido ele a convidar-nos (e se calhar não foi). Sei que os programas popularuchos têm hoje em todo o mundo um nível bastante baixo, mas, com o desaparecimento anunciado de outros mais interessantes em termos culturais, não será tempo de pôr os preconceitos de lado? Isto para quem está interessado em ser conhecido, claro, porque também há os eremitas e os que cultivam uma certa distância, e estão no seu pleno direito.

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