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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Dez12

Livros da vida

Maria do Rosário Pedreira

Frequentemente, em suplementos culturais e revistas literárias, perguntam aos escritores quais foram os livros da sua vida – pergunta incómoda, claro, porque os livros da vida mudam muito ao longo da vida, e um título que, na juventude, foi extremamente importante e enriquecedor pode perder relevância noutro momento em que já se acrescentaram leituras mais significativas. Há também uma certa tendência para, nestas situações, os escritores referirem monstros como a Bíblia ou clássicos inescapáveis como Dom Quixote de La Mancha; e até pode acontecer mencionarem alguns livros só para mostrar que os leram, como o Ulisses de Joyce ou Em busca do Tempo Perdido, de Proust, os exemplos que mais frequentemente aparecem nessas listas. Numa entrevista ao vivo a Lobo Antunes, de que já aqui falei um dia destes, o jornalista Carlos Vaz Marques pediu ao escritor que partilhasse com o público os títulos de três livros da sua vida; ele sorriu sem fingimentos e contou que o mesmo pedido fora feito um dia a Oscar Wilde que, com a sua graça inigualável, terá respondido: Como posso avançar três livros, se ainda só escrevi dois? Os livros da vida de um escritor não serão, acima de tudo, os que escreveu?

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