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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Jul10

Há ecos e Ecos

Maria do Rosário Pedreira

Diz-se que o jornalismo vai de mal a pior – e que o jornalismo cultural é cada dia menos culto. Claro que há excepções, mas conheço muitos episódios que corroboram a ignorância e a falta de profissionalismo de pessoas ligadas à comunicação social que cobrem a área dos livros. Contaram-me, por exemplo, que, quando Umberto Eco esteve em Portugal, os jornais e as revistas puseram-se todos em fila para entrevistar o grande mestre que, num hotel da capital, ia recebendo os seus representantes de meia em meia hora – e respondendo, provavelmente, às mesmas perguntas com a maior paciência do mundo. Mas parece que um dos jornalistas (penso que do extinto Independente) se sentou à frente de Umberto Eco e começou a entrevista por: «Que tipo de coisas é que escreve?» O grande senhor recusou-se, claro, a responder ao sujeito, podendo descansar meia hora até à entrevista seguinte. Mas há uma história ainda melhor (ou pior). Marie Darrieussecq escreveu um livro (Estranhos Perfumes) cuja protagonista, para abreviar, se transforma em porca – e a metamorfose, recordo-me, começa justamente pelo crescimento de oito tetas. Ora, estando a autora em Portugal para o lançamento da tradução, conta o seu editor que um jornalista que pedira para a entrevistar lhe terá perguntado se a obra era autobiográfica… Ecos da falta de leitura, suponho.

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