Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

27
Jul10

O (des)gosto do belga

Maria do Rosário Pedreira

Há já alguns anos, a ASA publicou dois ou três livros de Hugo Claus – um dos maiores romancistas belgas (morreu em 2008, recorrendo à eutanásia) – que veio a Lisboa para o lançamento da tradução portuguesa de O Desgosto da Bélgica. Como os nossos jornalistas da área cultural não se interessavam especialmente pela literatura flamenga nem sabiam que o autor até já tinha sido indicado para o Nobel, foi difícil – para desgosto do belga – conseguir entrevistas junto da maioria das nossas publicações nessa sua passagem por Portugal. Contou-me o seu editor que, às tantas, já em desespero de causa, tentou convencer um jornalista com factos alheios à obra, confidenciando-lhe que Claus era um homem com uma vida invulgar e surpreendente, tendo inclusivamente vivido com – imagine-se! – Sylvia Kristel, a actriz do famoso filme erótico Emmanuelle. Pois bem, parece que o argumento dos gostos do belga em matéria de mulheres foi o que bastou para mudar o desinteresse em súbita curiosidade. A literatura ficou, pois claro, em segundo plano.

8 comentários

Comentar post