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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Jul10

Não, obrigada

Maria do Rosário Pedreira

O Manel tem um e-book e, mesmo sabendo que ele não resiste a uma novidade tecnológica, na altura em que o comprou aplaudi bastante a decisão. Tendo em conta a quantidade de PDF que os editores recebem hoje do estrangeiro, substituindo livros tantas vezes grossíssimos cujo envio por correio seria manifestamente dispendioso (e o que se estraga em papel, que as mais das vezes acaba no lixo), achei que era mesmo melhor haver um e-book cá em casa, que nos permitisse ter lá dentro todos os livros que precisássemos de levar para qualquer lado sem danos para as nossas colunas vertebrais. Mas a verdade é que, para mim, o instrumento não serve. Se se tratar de um livro que tenho de apreciar para publicação, gosto de lhe escrever em cima, de corrigir os erros, de fazer comentários à margem, de colocar setas, de circular e ligar duas palavras repetidas no mesmo parágrafo, de remeter para outra página que me parece contradizer o que acabo de ler; além disso, volto sistematicamente atrás para comprovar que tenho razão ou concluir que, afinal, estou enganada; e, quando me lembro de uma passagem anterior, se tiver um exemplar em papel, sei sempre se ela está em página ímpar ou par, na primeira ou na segunda metade da página (todos os que lêem o sabem, creio eu). Mas, pior do isto, é não poder ter todas as páginas visíveis debaixo dos olhos. Num e-book, é como se a página fosse apenas uma, uma única página que leva uma eternidade a passar. Sem a minha caneta vermelha, a minha memória visual e os meus hábitos, levaria mais do dobro do tempo com cada livro. E-book? Para as crianças levarem para a escola com todos os livros escolares lá dentro, sim. Para mim: não, obrigada.

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