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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

27
Jun13

Telepatia

Maria do Rosário Pedreira

É francamente louvável o trabalho dos humoristas que, na rádio, nos jornais ou na televisão, têm de construir diariamente um texto com graça e substância – uma tarefa seguramente muito difícil, mesmo que a criação se traduza apenas em meia dúzia de linhas ou quatro vinhetas com balõezinhos. Obriga decerto a uma grande atenção à actualidade, a muito tempo a ler jornais de todo o mundo, implica espírito crítico e capacidade para a sátira, enfim, não é para qualquer um. Presumo que os humoristas tenham todos traços comuns, sejam afins em muita coisa, e que o mesmo clique os desperte quando ouvem uma história. E confirmei-o no sábado passado quando lia os jornais do dia e me apercebi de que, em dois diários diferentes, os cartoons não só se referiam ao mesmo assunto, como o abordavam exactamente da mesma forma. Aparentemente, um estudo recente mostrou que a maioria dos europeus acredita que o dinheiro vai desaparecer e ser substituído por outras formas de pagamento. Pois no Diário de Notícias José Bandeira, o criador de Cravo & Ferradura, afiançava que, quanto a isso, os Portugueses estavam muito à frente dos outros europeus, já que em Portugal «o dinheiro simplesmente não aparece e pronto»; no Público, Luís Afonso, o pai dessa tira deliciosa que é Bartoon, avançava que, efectivamente, «os Portugueses […] acreditam que o dinheiro já desapareceu». Parecia, em suma, que tinha havido uma espécie de telepatia.

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