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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Jul13

Luxos poéticos

Maria do Rosário Pedreira

Dizem que a poesia não dá de comer aos autores e até já ouvi a teoria de que alguns poetas publicam todos os anos para ver se lhes dão um prémio que se veja (em termos pecuniários, quero eu dizer, porque com tiragens tão pequenas não há direitos de autor que lhes valham). Já é difícil a um romancista viver do que escreve (falo de Portugal), mas um poeta ganhar dinheiro com a poesia está mesmo fora de questão. Apesar disso, deixem-me ser um bocadinho mundana. Hoje, no momento em que escrevo este post (uns dias antes de o publicar no blogue) estou instalada num resort de cinco estrelas no Algarve, com arquitectura de inspiração árabe que lembra alguns pormenores do Alhambra, como, por exemplo, um pátio com fonte e laranjeiras entre duas arcadas sob as quais ficam os quartos. Melhor: deram-me uma suite luxuosíssima com uma banheira maiúscula e jacuzzi privado que deve ter uma área total equivalente a metade de um andar de quatro assoalhadas. Melhor ainda: ofereceram-me o jantar durante uma semana num restaurante com uma varanda sublime. E porquê isto tudo? Na verdade, por eu ter escrito poemas e o meu último livro ter recebido o Prémio da Fundação Inês de Castro. Ao arrepio do que é costume, esta fundação, proprietária da Quinta das Lágrimas em Coimbra e do Vilamonte (onde estou) em Moncarapacho, perto de Olhão, dá ao premiado em cada ano um voucher para experimentar estas delícias e se sentir um escritor de sucesso por uns dias. E eu agradeço, e muito. Quem disse que a poesia não pagava umas boas férias, hã?

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