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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

23
Jul13

Primeiro balanço

Maria do Rosário Pedreira

Prometi que voltaria ao assunto da Nova Narrativa para a Europa – e tenho andado a adiá-lo porque, por mais tempo que passe, a verdade é que não consigo processar o acontecimento e chegar a uma conclusão que me convença. Fui para esse debate europeu à espera de ver serem tomadas decisões ou anotados os contributos de peso, mas senti que, por muito interessante que fosse a ideia de construir uma Europa mais humanista e cultural, não se foi além das palavras. Houve intervenções de que gostei (a melhor foi a de um contador de histórias búlgaro convidado a falar – a maioria dos presentes, como eu, limitou-se a ouvir, até porque as intervenções não podiam ultrapassar um minuto porque a sessão começou atrasada), mas ficou bastante claro no discurso de Durão Barroso que a Comissão Europeia pede a ajuda dos intelectuais, artistas e cientistas para escrever esta nova narrativa, mas não parece disposta, por sua vez, a apoiá-los. E, além disso, pareceu-me feio que, enquanto o Primeiro-Ministro da Polónia falava (era o anfitrião), o português estivesse sempre a ver mensagens no telemóvel (bem sei que tem muitas outras responsabilidades, mas caiu-me um pouco mal) e que, por sua vez, Donald Tusk abandonasse a sala assim que Durão Barroso acabou o seu discurso e começaram os debates (também será um homem ocupado, mas se eu convido alguém para minha casa não me passa pela cabeça ir-me embora). Bem, se calhar também eu estou a ser mal-educada, dizendo mal da «festa» para que fui convidada; voltarei, portanto, a esta reunião aqui no blogue quando tiver lido umas papeladas e umas notas que reuni sobre a matéria, até para não ser injusta ou precipitada nos meus juízos. Contudo, a quente, a sensação com que fiquei é que estes encontros sucedem porque a cultura tem de fazer parte da agenda da Comissão, mas se deles nascerá alguma coisa de interessante e benéfico, ai isso, francamente, já não sei.

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