Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Set13

Fugir das palavras

Maria do Rosário Pedreira

Li há tempos um belo artigo do jornalista Tiago Bartolomeu Costa no jornal Público sobre uma mesa-redonda durante o último Festival de Teatro de Avignon, para a qual foram convocados filósofos com o objectivo de darem o seu contributo para, de algum modo, se prever o que acontecerá no futuro e nos ajudarem, com as suas ideias, a sairmos desta terrível crise. Ups! É melhor não utilizar sequer a palavra «crise». Yves Citton, o pensador suíço presente no debate, alega que «o uso de certas palavras tem como objectivo a não produção de pensamento» e que, se em vez de os políticos dizerem «despesa», disserem «investimento», o mais provável é não sentirmos que estamos em crise (e lá disse eu outra vez o vocábulo proibido). E propõe que, em lugar de andarmos à procura de hipóteses e explicações, há que responder com concretizações – logo, a imaginação tem de ser posta a trabalhar, porque, como diz o filósofo francês Didi-Huberman, «de cada vez que se cria uma nova forma, cria-se um desejo de transformação». Toca, pois, a pensar – e a deixar de falar em... não, agora já não me apanham a repetir a palavra.

7 comentários

Comentar post