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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

10
Set10

Receios

Maria do Rosário Pedreira

Quando a gigante Porto Editora comprou o grupo Bertrand + Círculo de Leitores, houve muitas coisas que me preocuparam (até porque trabalho na concorrência, e o Manel trabalha na Porto Editora). Duas, porém, foram imediatas. A primeira tem que ver com o Prémio Literário José Saramago, atribuído a um romance em língua portuguesa publicado nos dois anos anteriores e assinado por um autor com menos de trinta e cinco anos. Quererá a partir daqui o grupo Porto Editora dar um prémio a um livro que, muito provavelmente, é de um concorrente? Pois não sei. Fazer desaparecer o Prémio Literário José Saramago, sobretudo depois da morte do Nobel português, seria, mais do que um acto de mau gosto, uma verdadeira afronta; mas, nos meus piores momentos, enceno a situação de o galardão passar a contemplar um inédito (e não um livro editado) que possa posteriormente integrar o catálogo de uma das editoras do grupo. Veremos. A outra preocupação prende-se com a revista Ler. Num país como o nosso, onde não há praticamente publicações literárias, seria uma machadada fortíssima acabar com ela, mas também acredito que os magros lucros que se calhar dá falem mais alto e dêem o golpe de misericórdia. A mim, que a leio desde o número zero, custa-me que desapareça. Mas também se diz por aí que o seu director é um dos nomes falados para a Cultura se o PSD ganhar as próximas eleições e o facto de ele ter estado na Universidade de Verão dos sociais-democratas pode ser um sinal de que não se trata apenas de um boato. Sem ele, a Ler seria a mesma coisa?

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