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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Mai10

Livro-escaldão

Maria do Rosário Pedreira

Começo pela história de um escaldão por causa de um livro lido há muitos anos e que, se não está disponível no mercado, devia estar, pois não se devem privar os leitores de uma obra que, sendo autobiográfica, é da mais delirante ficção. Talvez não seja, convém dizer, o melhor livro do autor, mas nenhuma outra obra sua me deixou a esturricar ao sol do Verão durante 173 páginas ininterruptas, com as sequelas daí decorrentes. Trata-se de A Tia Júlia e o Escrevedor, de Mario Vargas Llosa, e alterna a história do seu casamento com uma ex-tia por afinidade com as rádio-novelas de Pedro Camacho, seu colega e confidente nas coisas do amor e personagem inesquecível que, se não existiu, só podia mesmo ter sido inventado pelo escritor peruano. A ler, portanto, faça o tempo que fizer. (Na praia, recomenda-se o uso de protector solar de ecrã total.)

19
Mai10

Horas extraordinárias

Maria do Rosário Pedreira

Se há horas extraordinárias, na minha vida muitas delas foram passadas com um livro na mão (mais extraordinárias ainda se havia alguém especial por perto, de preferência a ler também). Quase todos os meus amigos do peito são (e ainda bem) leitores vorazes – e nem se pense que os conheci a todos na edição (muitos são anteriores a essa minha aventura e gostam, do mesmo modo, de riscos e números). Mas a edição é, não há como negá-lo, uma parte importante da minha vida – e ler, mais do que um passatempo, uma profissão que exerço diariamente num horário estabelecido, mas (já se sabe) muito para além dele, ou seja, fazendo horas extraordinárias. (Qual é o editor que não traz, em suma, livros para ler em casa?) Daí o título deste blogue, para o qual pretendo trazer as minhas leituras: as que me marcaram e me concederam horas extraordinárias (tantas vezes no meio de convulsões de que parecia que só mesmo os livros me salvavam) e as que me ocupam nas minhas outras horas extraordinárias – e que serão sobretudo descobertas de novas vozes literárias a que, segundo a minha modesta opinião, devem os que gostam de ler ficar atentos.

19
Mai10

Um blogue agora?

Maria do Rosário Pedreira

No tempo em que apareceram os telemóveis, fui aquilo a que se pode chamar uma resistente; não que tivesse alguma coisa contra as novas tecnologias (já ninguém vive, claro, sem certas comodidades), mas a verdade é que nunca gostei de falar ao telefone – e muito menos de me ver obrigada a ter conversas privadas diante de outras pessoas. Acabei, no entanto, por me render à evidência de que era bastante confortável comunicar de qualquer lado para qualquer lado e estar, enfim, localizável, sobretudo pelos mais próximos, que precisam, ou gostam (mas que mal tem?), de saber onde andamos. Não me arrependi, e nunca me tornei uma dependente. Com os blogues, passou-se mais ou menos o mesmo: parecia-me que não tinha grande coisa que partilhar com o mundo (e se calhar não tenho) e sentia preguiça de alimentar, diariamente ou quase, como se fosse à colher, uma criatura minha. Recentemente, porém, descobri que lia mais blogues do que jornais para me manter informada e concluí que esta podia ser uma forma simpática e eficaz de estar com aqueles com quem tenho mais afinidades e que são – amigos ou não – os que gostam de ler. Daí ter decidido criar este blogue.

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