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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Jul11

Mudança de perfil

Maria do Rosário Pedreira

Estou sempre a ser avisada no Facebook quando os meus amigos fazem alterações ao seu perfil. Regra geral, não vou investigar, até porque a muitos destes «amigos», é bom que se diga, não conheço pessoalmente e, portanto, nem sequer tenho uma ideia muito concreta sobre qual era o seu perfil quando os adicionei, embora nessa altura tenha ido lá espreitar para ver se o que publico poderia interessar-lhes minimamente. Todavia, não são só as pessoas que vão mudando de perfil e, um destes dias – novamente em arrumações de livros –, apercebi-me de como mudaram enormemente os perfis de duas editoras que conheci bem. A primeira é a Gradiva, na qual trabalhei nove anos, que passou de editora de divulgação científica (Carl Sagan, Hubert Reeves, Richard Feynmann, Stephen Jay Gould) para editora que, além do fenómeno de vendas que é José Rodrigues dos Santos, publica sobretudo literatura estrangeira (McEwan, Ishiguro, agora Eco…) e ensaio de autores portugueses (quase sempre polémicos, como Nuno Crato). A segunda é a Presença, que nos meus tempos de estudante era, entre outras coisas, uma referência para universitários e hoje se tornou uma das mais cotadas chancelas de ficção comercial, tendo Nicholas Sparks como seu expoente máximo. O mercado desenha novos rostos e não há perfis que não estejam sujeitos à mudança.

01
Jul11

Uma excepção

Maria do Rosário Pedreira

Nunca usei este blogue como montra do que escrevo, o objectivo é falar de leituras, e não de escritas; mas uma das leitoras que o segue disse-me há pouco tempo que os meus livros de poemas já não se encontram à venda (a editora que os publicava entrou em insolvência) e pediu-me que, mesmo excepcionalmente, partilhasse qualquer coisa neste espaço. Então, excepcionalmente, para a Irene Pereira e para todos os que gostam ou não gostam da minha poesia, desenterro, no ano do décimo aniversário da morte de Manuel Hermínio Monteiro, editor da Assírio e Alvim, um pequeno poema que escrevi para ele na altura. Saudades, sempre.

 

Deixei de ouvir-te. E sei que sou

mais triste com o teu silêncio.

 

Preferia pensar que só adormeceste; mas,

se encostar ao teu pulso o meu ouvido,

não escutarei senão a minha dor.

 

Deus precisou de ti, bem sei. E

eu não vejo como censurá-lo

 

ou perdoar-lhe.

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