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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Set11

À chegada

Maria do Rosário Pedreira

Faço parte daquela parcela de portugueses que trabalha em empresas que fecham umas semanas em Agosto. Parti, por isso, para o Sul no princípio do mês à cata de sol mas, como levei com a chuva à chegada tal porta na cara, nos primeiros dias sobrou-me apenas o consolo da leitura enquanto ouvia uma assanhadíssima trovoada. Comecei por Raduan Nassar, o grande escritor brasileiro nascido em 1935, que pouco escreveu – mas bem – e que, depois de um romance, uma novela e uns contos, resolveu retirar-se da vida intelectual e ir cuidar de uma chácara para desgosto dos seus leitores. Em apenas um par de horas – que a novela é mais uma noveleta – tinha matado a sede com Um Copo de Cólera, uma fantástica peça literária sobre um casal apaixonado e desavindo: ela jornalista, jovem e algo progressista, ele mais avançado nos anos, convencional e bruto – mas o amor tem destas coisas, e o sexo pode ser tão perfeito entre dois seres humanos que a ira, por mais medonha, pelos vistos às vezes não chega para apagar o desejo e as boas recordações. Este é um livro sobre a sedução, a manha, o confronto, a fragilidade do forte e do fraco no meio de uma discussão muito feia descrita de forma muito bela. Traduzido em várias línguas, este livrinho tão pequeno já deu filme, não imagino de que tamanho. Mas a minha alegria ao lê-lo foi imensa.

01
Set11

Cá estamos

Maria do Rosário Pedreira

Pois é... Custou um bocado regressar ao trabalho depois de um período de descanso e horas de leitura realmente extraordinárias. Mas tive muita sorte com os livros que levei comigo para férias (e de que aqui falarei nos próximos dias) e, sem stress, o tempo rendeu mais do que habitualmente e deu mesmo para muita coisa, entre clássicos e contemporâneos. Não é, no entanto, por estarmos longe que as coisas param, e na minha ausência separaram-se os Blogtailors (Nuno Seabra Lopes deixou o projecto, que ficou a cargo de Paulo Ferreira), alguém ameaçou pedir a insolvência da Europa-América (cujos empregados se começaram a queixar de falta de pagamento de salários) e a Assírio e Alvim está muito perto de ser comprada pelo grupo Porto Editora (um protocolo de colaboração foi já assinado). Na minha secretária, tinha também os exemplares acabadinhos de sair do forno do novo romance de Miguel Real (A Guerra dos Mascates, que já está à venda) e do último de Ana Cristina Silva, uma obra inspirada em Carolina Loff (a militante comunista que se apaixonou por um inspector da PIDE) intitulada Cartas Vermelhas. Mas comentarei tudo isto em posts independentes, pois hoje é apenas para dizer que estou de regresso a esta minha e vossa casa e com muito que partilhar sobre aquilo que aqui nos junta, os livros, pelo que, se acaso pensavam que não teriam de me aturar, estavam redondamente enganados. Até porque tive saudades vossas, mesmo dos que têm mau-génio. Até amanhã.

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