Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Jan12

Unidos pelos livros

Maria do Rosário Pedreira

Em livrarias, museus, bibliotecas e vários outros espaços públicos e privados, reúnem-se de há uns anos para cá comunidades de leitores que, com a ajudinha de um «literato», analisam obras literárias e partilham opiniões sobre o que lêem. Podem ter o seu poiso na capital (como no caso das sessões que Filipa Melo organiza na Almedina do Saldanha, por exemplo), mas estão espalhadas por todo o País e têm como organizadores jornalistas (Helena Vasconcelos costuma seguir um grupo na Culturgest e Miguel Carvalho na Almedina do Arrábida Shopping), escritores (valter hugo mãe acompanha uma comunidade em Gondomar) ou gente simplesmente lida (Maria João Seixas orientava há uns anos as sessões na Biblioteca de Almada). Tive a alegria de participar em alguns destes encontros e fiquei emocionada com as conversas à volta dos livros, sobretudo as que partiam de pessoas que só então começavam a ler regularmente e estavam tão fascinadas com a experiência que não se calavam um minuto, querendo partilhar o entusiasmo. E outra coisa que descobri é que muitas daquelas pessoas, se ali não fossem, estariam irremediavelmente sós (mesmo que com um livro nas mãos), representando também a comunidade de leitores uma espécie de grupo de amigos com afinidades que se encontra para um bom serão de conversa. Parabéns, pois, aos que as organizam.

02
Jan12

Ventos do Norte

Maria do Rosário Pedreira

Conheço mal a literatura nórdica – confesso que nem a trilogia Millenium li, não só por falta de tempo, mas porque, como não sou grande apreciadora de policiais e thrillers, mesmo quando me dizem que são excelentes, acabo por preferir uma ficção mais literária. Em todo o caso, penso que Portugal está mal fornecido de literatura nórdica, provavelmente pela dificuldade em arranjar tradutores, mas recentemente apareceram alguns livros interessantes. Um deles é, seguramente, a colectânea de contos do norueguês Kjell Askildsen – mestre da narrativa breve, segundo anuncia a badana – intitulada Uma Vasta e Deserta Paisagem. Enquanto a lia, não pude deixar de pensar naquele misto de contenção e contundência que perpassa os diálogos de Bergman e, mesmo que a Noruega e a Suécia sejam países muito diferentes, a verdade é que reconheci nestes contos uma espécie de alma do Norte – simultaneamente seca e desarmante – que conhecia dos filmes do realizador sueco. Este é um livro de histórias de gente só, de relações condenadas ao fracasso, de pequenas tragédias pessoais contadas com humor negro q.b. e uma simplicidade e subtileza invejáveis. O livro recebeu o Prémio da Crítica na Noruega.

Pág. 3/3