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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Nov12

90 desassossegados anos

Maria do Rosário Pedreira

Já não caio na esparrela de esquecer o aniversário de um grande escritor nem desiludir os que amam os seus livros e vêm aqui ao blogue conferir se por acaso me lembrei. Atrasei-me em relação a Agustina, mas hoje não quero deixar de dar conta da efeméride: Saramago faria 90 anos neste 16 de Novembro e a fundação com o seu nome vai comemorá-los com um «Dia do Desassossego» que pretende repetir a partir de agora nesta data e que, citando os responsáveis, «quer que se transforme numa festa cívica e da cultura». Os leitores são, assim, desafiados e saírem à rua com o seu exemplar de O Ano da Morte de Ricardo Reis (um dos seus melhores romances, digo eu) debaixo do braço para dizerem, desse modo, a toda a gente com quem se cruzem que esse é, decididamente, um livro que tem de ser lido (mas ninguém se ofenderá se levarem outra obra do autor). Na Casa dos Bicos, festejar-se-ão também os trinta anos da publicação de Memorial do Convento e haverá vários acontecimentos à volta disso (a entrada neste dia e no seguinte é gratuita!). Inspirando-se nas palavras do escritor – «Escrevo para desassossegar os meus leitores» – lança-se este belo apelo à leitura dos livros do nosso Nobel da Literatura. Não se esqueça do seu exemplar. Parabéns, Saramago.

 

 

15
Nov12

As máscaras

Maria do Rosário Pedreira

Confessei um dia destes que estava curiosa e que iria ler – e cumpri. O Manel trouxe-mo num sábado e, assim que pude, deitei-lhe a mão. Duas noites bastaram para o começar e acabar, porque são pouco mais de cento e vinte páginas em letra de bom tamanho para quem já usa lentes progressivas há uns bons anos. Chama-se O Lago, assina-o Ana Teresa Pereira e é o romance que acaba de vencer o mais emblemático prémio literário português, o da Associação Portuguesa de Escritores. Uma certa estranheza acompanhou-me, porém, ao longo de toda a leitura: sendo um livro de uma autora portuguesa, tive a sensação de que estava a ler uma tradução e até a ver o que eu teria traduzido de outro modo. Ou a autora só lê praticamente livros ingleses – e se calhar até pensa em inglês – e, por isso, quando escreve é bem capaz de ter, ela própria, de traduzir mentalmente (palavras comuns como «representar» ou «falas» no contexto do teatro são quase sempre substituídas por «actuar» e «linhas», do inglês «act» e «lines»); ou a colagem à língua inglesa é deliberada, uma vez que a história se passa em Londres, com uma actriz e um encenador anglófonos, e todos os títulos das peças e dos livros referidos aparecem naquela língua, mesmo quando a tradução é usada correntemente em Portugal (Death of a Salesman, em vez de Morte de Um Caixeiro Viajante, ou Three Sisters, em vez de As Três Irmãs, entre muitos outros). Não posso contar grande coisa do enredo, porque este é um daqueles casos em que até um resumo muito breve estragaria o prazer da descoberta (o próprio editor pôs um excerto na contracapa, e não uma sinopse), pelo que o máximo que avançarei é que se trata de um romance sobre a relação entre o actor e a personagem que deve compor, sobre a personagem escrita e a sua materialização, sobre a criação de uma obra dramática e a sua construção posterior em palco. E também sobre a paixão e o medo, a entrega e a perda. Interessante? Sem dúvida. Já vi filmes e li livros sobre o tema de que gostei muito mais, é verdade, mas também é possível que estivesse simplesmente de pé atrás. Por isso, o melhor é lerem para tirarem as teimas. Coisa maravilhosa mesmo é não ter encontrado uma única gralha.

14
Nov12

Prenda de aniversário

Maria do Rosário Pedreira

Recentemente, a Dom Quixote organizou uma sessão mais ou menos íntima para comemorar o décimo aniversário da primeira edição de O Vento Assobiando nas Gruas (sim, também se falou da estranheza do título), de Lídia Jorge. Quando digo «íntima», quero sobretudo dizer que não se tratou de uma festa com bolo e champanhe, embora, tanto quanto sei, a entrada não estivesse restringida apenas a uns happy few – aliás, acabou por aparecer muito mais gente do que o petit comité que a escritora imaginara. (Desculpem tanto estrangeirismo, não sei o que me deu hoje.) Devo dizer que foi, em muitos anos de livros, um dos melhores fins de tarde a que tenho assistido, porque, instigada pela jornalista Filipa Melo, Lídia Jorge não parou de dizer coisas interessantes, sérias quase todas – e muito sérias – mas não deixando de temperar a conversa com umas pitadas de humor que deliciaram a assistência. Entre elas, uma história que dedico especialmente ao meu leitor «Monchique», que é, segundo percebi, um amante de Agustina. Pois confidenciou Lídia Jorge que, pouco depois de ter publicado o seu primeiro romance (O Dia dos Prodígios), recebeu da grande senhora do Norte uma cartinha que dizia o seguinte: «Bem-vinda a esta arca da desaliança. Oxalá a leiam. Oxalá lhe paguem.» Genial, como só ela consegue ser. O romance de Lídia que fez dez anos, e que ganhou o Grande Prémio de Romance e Novela da APE e o Prémio Literário Correntes d'Escritas, está aí de cara lavada para quem perdeu a oportunidade de ler uma das cinco edições anteriores. A ele voltarei, naturalmente, um dia destes: uma sessão que rende dois posts já se viu que foi boa, uma prenda para quem lá foi.

 

 

13
Nov12

O homem-ilha

Maria do Rosário Pedreira

Perco-me por retrosarias e sou capaz de ficar horas a olhar para as suas montras ou lá dentro a mirar mil botões, fitas, novelos e fivelas como quem aprecia minúsculas obras de arte. Também por isso gostei tanto de ver o senhor Askenasi – o protagonista de A Ilha, de Sándor Márai – maravilhado diante da vitrina de um retroseiro, descobrindo a cor e o pormenor em tudo e compreendendo como andara, afinal, arredado das coisas belas da vida, embrenhado num quotidiano de livros, ordem e previsibilidade. O estudioso das palavras, professor de Grego, católico e sorumbático Askenasi ainda não está, porém, na ilha do título quando tira os óculos e vê o que antes nunca vira, mas numa estância balnear do Adriático, na qual se apeou a meio de uma viagem que o deveria levar de Paris, onde reside, à pátria de Homero – viagem que lhe aconselharam os amigos, convencidos de que assim recuperaria da insanidade que o fizera deixar a mulher, a filha e até o trabalho para viver com uma bailarina russa de reputação discutível e estranhas companhias. Mas nem a mulher abandonada nem a amante sensual parecem, porém, responder à sua satisfação, constituindo-se apenas como etapas anteriores a uma meta que Askenasi busca, incansável, e que pressente estar nesse lugar frequentado por turistas alemães pacóvios e metediços. Para a ilha, só irá realmente na sequência de um encontro com uma terceira mulher que o atrai ao seu quarto no Hotel Argentina e que ele crê irá dar-lhe a resposta que nem Deus é capaz de lhe dar. Magnífica, como toda a obra de Márai, esta novela lembra um pouco a solidão dos protagonistas de Morte em Veneza, de Mann, e do conto O Homem que Amava as Ilhas, de D. H. Lawrence, e também a novela homónima de Giani Stuparich, de que já aqui falei. Bela e imprevisível, representa o homem como a sua própria ilha, o indivíduo diante do seu destino inescapável.

 

 

12
Nov12

Ler na íntegra

Maria do Rosário Pedreira

Há muitos anos, o jurado de um prémio de poesia sem grande relevo confidenciou-me que não tinha lido todas as obras a concurso e que o mesmo se passara com os seus colegas. Numa altura em que não havia a profusão de prémios literários que existe actualmente (quase todas as Câmaras Municipais têm um prémio com o nome de um escritor nascido nas suas bandas), haviam concorrido àquele mais de seis centenas de originais – e quase todos de um nível confrangedor. Por isso, assim que apareceram, após trezentos ou quatrocentos livros maus, meia dúzia de obras com inequívoca qualidade para vencer, os elementos do júri comunicaram uns com os outros, atribuíram o prémio à mais votada e já nem abriram as caixas que sobravam. Não sei se isto é verdade, e estou a vender o peixe pelo mesmo preço que mo venderam a mim, mas às vezes há decisões que me fazem pensar se, efectivamente, os jurados lêem mesmo integralmente as obras a concurso. Tendo em conta que em Portugal se publicam anualmente centenas de romances, será que é possível cumprir essa tarefa? Imagino que a maioria dos membros de um júri deste tipo sejam críticos, académicos, jornalistas ou mesmo escritores com outros afazeres – e não é crível que arranjem tempo para tantas leituras integrais. Mas sei também que essas pessoas, regra geral, já têm uma noção dos autores a quem, de facto, é fundamental prestar atenção, mesmo antes de saberem quais as obras concorrentes: os consagrados, bem entendido, e, talvez, dos mais novatos, aqueles a quem foram dedicadas muitas críticas positivas e espaço num ou noutro programa cultural de rádio e televisão. Este ano, porém, fiquei bastante surpreendida com os vencedores dos maiores galardões para romances em Portugal, e não porque os livros em causa não os mereçam (vou, aliás, lê-los a ambos e quiçá concordar com a escolha), mas por nenhum deles ter sido, desde a publicação, objecto de aplauso estonteante e haver até um que passou algo despercebido; e igualmente por estarem a concurso dois gigantes, dois livros que levaram uma vida a ficar prontos, implicaram um trabalho incomparável de investigação e construção ficcional e foram referidos em todo o lado de forma elogiosa, mas que não foram sequer finalistas de, pelo menos, um dos prémios. Falo, naturalmente, de As Luzes de Leonor, de Maria Teresa Horta, e de Tiago Veiga, de Mário Cláudio, que são marcos não apenas nas respectivas carreiras, mas também na própria literatura nacional, e foram preteridos nas selecções, primeiro, e nas votações, depois. Não houve, tenho a certeza, nenhuma espécie de favoritismo (ou o seu contrário); contudo, lembrando essa antiga conversa que refiro no início deste post, ocorreu-me que são os dois bastante volumosos – entre setecentas e cinquenta e mil e tal páginas – e não consegui deixar de perguntar-me se terão sido lidos na íntegra por todos os membros desses júris. Não desfazendo nos vencedores, claro, espero que esta minha dúvida não tenha nenhuma espécie de fundamento.

09
Nov12

Crianças protagonistas

Maria do Rosário Pedreira

Uma vez, numa velhíssima série de televisão dedicada à sétima arte, ouvi um realizador dizer que uma das coisas mais difíceis em cinema era trabalhar com crianças e animais, pois não havia ensaios que anulassem a sua espontaneidade, nem estratagemas que os convencessem a ficar quietos quando era preciso. Por mim, há muitos filmes com crianças nos papéis principais que me fizeram delirar de comoção – entre os quais destaco a primeira parte de Cinema Paraíso ou o mais antigo Lua de Papel, bem como o inesquecível Na América, que se tornou um dos meus preferidos pelas interpretações das duas meninas que acabam de perder um irmão. Mas há, mesmo para os que não são fãs de Manoel de Oliveira, um belíssimo filme português chamado Aniki-Bóbó – a primeira incursão na ficção do mestre centenário – representado por crianças, que levanta questões sociais importantes, numa espécie de neo-realismo cinematográfico avant la lettre (os italianos só começaram depois). Manuel António Pina – de quem é imperioso voltar a falar para que nunca seja esquecido – escreveu um ensaio sobre a obra de Oliveira intitulado simplesmente Aniki-Bóbó, no qual defende que, depois deste filme, o cinema português nunca mais conseguiu ser tão poético. No final do volume, agora publicado na Assírio & Alvim, figura a preciosa filmografia do mestre portuense, que pode ser consultada sempre que a memória nos falhe sobre o nome de um filme ou a data da sua exibição. Na capa, Eduardito, Teresinha e Carlitos olham, na montra de uma loja, a boneca que contribui para umas das mais dramáticas cenas deste filme maior.

08
Nov12

Presente!

Maria do Rosário Pedreira

Sou há pouco tempo editora do escritor Mário Cláudio e, embora nos vejamos raramente (ele vive no Porto e eu trabalho em Lisboa) – e os nossos encontros sejam, em regra, breves –, a verdade é que, quando nos reunimos, aprendo sempre alguma coisa com a sua experiência e a sua inteligência (perdoem-me a rima, mas para estas palavras não há sinónimos). Há uns dias, ele fez-me reparar numa coisa a que ainda não tinha prestado atenção – e estava, de resto, bastante indignado ao partilhá-la; dizia-me que hoje, quando as pessoas falam de Agustina, usam o passado, como se ela tivesse morrido (fez noventa anos em 15 de Outubro e não publica há uns tempos, mas, caramba, está viva); e contou-me que, num colóquio recente, os participantes, mesmo diante da filha, falavam de Agustina como de alguém a quem, efectivamente, já não corresse sangue nas veias, o que – imagino – deve ter sido bastante incómodo. Fiquei, por isso, muito contente quando nesse mesmo dia fui ao Facebook e tinha um convite do editor Vasco Silva, da Babel, para gostar da página de Agustina Bessa-Luís; e, quando fui lá pôr o Gosto, tive o brinde de um belo cabeçalho com a frase Longos dias têm noventa anos numa clara alusão ao aniversário da escritora, evidentemente, mas também a um dos seus livros de que mais gosto (Longos Dias Têm Cem Anos), cujo exemplar já se está a desfazer na minha estante de tão manuseado. Os bons escritores – entre eles, Agustina – estarão vivos até depois de mortos; e, mesmo então, terão – parece-me – todo o direito ao presente do indicativo.

07
Nov12

Editores-escritores

Maria do Rosário Pedreira

Há pessoas que estranham que não tenha publicado os meus livros – a maioria, pelo menos – nas editoras por onde fui passando; as únicas excepções, em mais de quarenta títulos (entre livros de crianças e livros de adultos), foram uma encomenda recente (e mesmo assim reflecti antes de a aceitar) e uma teimosia antiga (do então patrão, mas talvez devesse ter sido ainda mais teimosa). Conheço um editor-escritor que, como dono da empresa, decidiu ao contrário, tornando-se o seu próprio editor; e outro que publica regularmente na editora para a qual trabalha sem nenhuns problemas de consciência. Mas outros há que publicaram os seus livros na concorrência, embora eu já não consiga dizer, a esta distância, se já eram editores na altura, se foi justamente a escrita a levá-los à edição. E até se passou comigo uma história engraçada, que foi terem-me pedido há muitos anos para ler e avaliar um original, e eu ter descoberto mais tarde que se tratava do romance de um editor conhecido (livro que, parece-me, nunca chegou a ser publicado e, aqui para nós, ainda bem). Actualmente, tenho dois colegas no meu local de trabalho que se estrearam como autores de ficção quando eram jornalistas, tendo um deles sido inclusivamente galardoado com um importante prémio pela obra de estreia e o outro contado nada mais nada menos do que com António Lobo Antunes na apresentação pública do romance. Pois a verdade é que, desde que se tornaram fazedores de livros alheios, não voltaram a publicar – e o mesmo aconteceu, por exemplo, a Nelson de Matos, que foi durante muitos anos editor da Dom Quixote, mas antes disso tinha escrito um romance intitulado Giestas da Memória (o Manel também publicou quatro livros de poesia, mas deixou-se disso quando passou a editor). Será que as duas actividades se anulam ou se complementam? Ler tirará a vontade de escrever ou acentuá-la-á? E como reagir quando um colega de repente nos pede para lhe lermos um original e descobrimos que, afinal, é dele e até não nos importaríamos de o publicar, mas não sabemos se ele quer fazê-lo na própria editora?

06
Nov12

Queridos anos 60

Maria do Rosário Pedreira

Quem viveu nos anos 60 e viu a série Conta-me como Foi, não pôde deixar de evocar episódios e cenas da sua vida naquela reconstituição de época primorosa. E agora, por muito que nos digam que Portugal evoluiu de forma espectacular nos últimos quinze anos, há um livro fantástico à venda – LX60, de Joana Stichini Vilela (texto) e Nick Mrozowski (projecto gráfico) – que nos ensina como o País nunca mais foi o mesmo depois dos anos 60 do século passado. Foi só nessa década, por exemplo, que os lisboetas puderam andar de metro, viver nos Olivais, atravessar a ponte de carro para a outra margem do Tejo, comprar num supermercado ou ir à Feira Popular (coitada, já lá vai), dançar nas discotecas ou mesmo passar um fim-de-semana num hotel de luxo como o Estoril-Sol (que também já não temos). Mas nem tudo foram rosas, claro, com a Guerra Colonial, a PIDE a matar e torturar, a esperança média de vida aos sessenta e tal anos, mais de 80% dos partos em casa, umas cheias que destruíram centenas de lares e um terramoto que assustou todos na capital. Contra algumas dessas pragas, havia, porém, tertúlias nos cafés, livros proibidos que passavam por baixo dos balcões, programas de TV inteligentes como o Zip Zip e revistas pensantes como O Tempo e o Modo. Claro que o povo também se divertia com o Festival da Canção, as Misses e Eusébio a jogar à bola… Este livro, para quem viveu nos anos 60, é precioso: remete-nos para um tempo que foi marcante numa certa emancipação dos portugueses e das portuguesas (ah, a mini-saia!) e leva-nos numa viagem ao passado de um País que estava cheio de vontade de ser outra coisa. Para ler e folhear.

05
Nov12

Pré-presidente

Maria do Rosário Pedreira

Correndo o risco de desagradar a alguns dos leitores deste blogue, confesso aqui abertamente que não tenho qualquer simpatia pelo actual presidente da República e nunca me comoveu a sua história de self-made man difundida pelos seus eleitores para que, pelo menos, o admirássemos; não nego, mesmo assim, que durante muito tempo o achei uma pessoa séria, embora a minha opinião se tenha manchado com aqueles juros altíssimos dos seus investimentos no BPN (quando a esmola é grande o pobre desconfia), mas nisso também não serei muito original. Jorge Sampaio foi um presidente mais ao meu gosto, admito, alguém que não apareceu na esfera da política só depois do 25 de Abril e suficientemente culto e informado para não meter gafes, não contar piadas sem piada, não se desculpar com os netinhos por não estar onde era preciso e, sobretudo, não dizer que a mulher tem uma reforma de caca ou outros dislates do mesmo tipo a pessoas que ganham o ordenado mínimo ou estão desempregadas; sério também ele, teve além disso a coragem de demitir um governo que, a esta distância, se calhar até era menos incompetente do que o actual (que o que decide à terça altera à quinta, pensando melhor por outras cabeças). Desconhecia até recentemente que Sampaio mantinha uma espécie de diário desde jovem – e foi com esses muitos caderninhos como base que o jornalista José Pedro Castanheira lhe traçou agora a biografia que, longe de ser apenas uma «vida», é a história de Portugal (e não só) com ele como protagonista. Mas atenção: o livro que saiu é apenas um primeiro volume, que vai até à sua entrada na Câmara de Lisboa como presidente; o resto – creio que a parte que melhor conhecemos, mas, nestas coisas, nunca se sabe – será objecto de um segundo tomo. Para quem se interessar, uma vida cheia e inspiradora.