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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Mai13

A ciência do papel

Maria do Rosário Pedreira

Desde os anos 1980 que se publicam estudos sobre as diferenças produzidas no cérebro humano entre as leituras feitas em papel e num ecrã. Li há dias um artigo publicado na Scientific American que, reconhecendo a popularidade cada vez maior dos tablets e e-readers, aponta claras vantagens para a leitura em papel, nomeadamente de livros e textos mais longos. Depois de centenas de experiências «laboratoriais», conclui-se que as pessoas dão francamente mais atenção à tinta do que aos pixels e retêm melhor a informação no papel, tendo claras dificuldades em localizar passagens num dispositivo que só mostra uma página de cada vez. Parece que a relação com o todo é, afinal, da máxima importância e que não perder de vista a capa e a contracapa, saber o que já se leu e o que ainda falta, ter duas páginas permanentemente debaixo de olho e oito cantos à vista, poder folhear com facilidade para trás e para diante, contribuem para um mapeamento do texto muito mais rigoroso e uma aprendizagem mais eficaz. Também se conclui que o toque, o cheiro, o tamanho, a forma, o peso, tudo isso é valorizado pelo leitor que, no ecrã, tende a considerar a página digital intangível e efémera… Hum… Está visto que vamos ainda ter papel por muitos anos.

02
Mai13

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Já disse certamente neste blogue que a estreia na ficção que me encheu realmente as medidas foi o romance de Paolo Giordano intitulado A Solidão dos Números Primos, de que fizeram em Itália um filme – que vi por acaso numa noite de Verão – absurdamente mau, sobretudo tendo em conta a excelência da obra em que se baseava. Paolo Giordano é físico – e, talvez por isso, a matemática cruzava esse livro belíssimo a partir do olhar de um dos protagonistas. Agora é a vez das Ciências da Vida visitarem o seu segundo romance. Intitulado O Corpo Humano, parece pensado para dar origem a uma longa-metragem do tipo de Platoon ou A Linha Vermelha. Nas suas páginas caminham militares de várias patentes, de personalidades marcantes, em direcção ao inferno do Afeganistão, onde tudo poderá realmente acontecer nos próximos seis meses. Entre eles, há um tenente deprimido que é o médico de serviço, um cabo jovem que ainda é virgem e um sargento-chefe que se prostitui com mulheres mais velhas e é, provavelmente, católico. Visitando os dramas pessoais destas e doutras personagens antes, durante e depois da permanência na base militar italiana (onde tudo realmente acontece), e aquilo que mudará para sempre no corpo e na mente de cada uma delas, esta obra é um pontapé no estômago que (masoquismo à parte) vale mesmo a pena levar.

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