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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Fev16

O de sempre

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui trouxe a questão, é um facto, mas quase sempre a restringi aos maus hábitos do nosso pequeno Portugal. A verdade é que a política da borla, ou de fazer trabalhar de borla, no tocante aos escritores acontece pelos vistos em muitos sítios, e o Reino Unido parece ser um deles. O director do Festival Literário de Oxford (FLO), que em vinte anos não recebeu um centavo pela sua participação, explicando que, a princípio, a organização era pequena e não tinha verbas e trabalhou quase por patriotismo, cansou-se – e acaba de se demitir porque o FLO não quer pagar aos escritores convidados. Diz ele que hão-de pagar às senhoras da limpeza, aos designers, aos cozinheiros, aos motoristas, aos assessores de imprensa, enfim, a toda a gente que trabalha para que o FLO seja um sucesso… excepto aos escritores, que são a verdadeira razão do encontro, aquela que fará, na verdade, com que alguém compre um bilhete para ir ao certame. Como diz o senhor Philip Pullman na carta que escreveu a explicar os motivos da sua demissão: Enough is enough. Lá como cá.