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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

08
Fev16

Um senhor editor

Maria do Rosário Pedreira

Quando comecei a ir à Feira de Frankfurt, tive várias reuniões com representantes de uma editora britânica chamada Weidenfeld & Nicolson, editora independente que, como muitas, seria comprada mais tarde pelo grupo Orion e ainda mais tarde pela Hachette (que comprou, julgo eu, todo o grupo Orion). Mas só agora, que leio a notícia da morte de Lord Weidenfeld aos 96 anos, conheço a história deste homem singular que publicou a Lolita de Nabokov no Reino Unido nos anos 1950 (ainda só havia a edição francesa). Era um judeu rico que, fugindo à anexação da Áustria pelos nazis, foi recolhido por cristãos no Reino Unido, onde se tornaria um dos sócios da editora que partilhava com Nigel Nicolson, filho de Vita Sackville-West, autora que pertenceu ao Bloomsbury Group (de que fez também parte Virginia Woolf; diz-se que Vita foi quem, de resto, inspirou Orlando). Weidenfeld foi feito cavaleiro pela rainha Isabel II, era um senhor que dava festas esplendorosas (a ponto de um antigo embaixador dizer que Kissinger e De Gaulle nunca saíam dos seus jantares antes do fim) e também um filantropo até ao fim, pois, quando o Estado Islâmico começou a sua acção terrorista, criou um fundo para trazer refugiados cristãos da Síria, alegando que tinha obrigação de pagar a dívida a quem o tinha salvo dos campos de concentração. Enfim, a Inglaterra fica sem o deão dos seus editores, mas é bom saber tudo o que de bom trouxe ao nosso mundo.