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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

25
Fev16

Como escrever

Maria do Rosário Pedreira

O meu irmão, que foi em tempos professor numa universidade americana (a Brown, em Providence) falou-me de bibliotecas abertas toda a noite e de estudantes extremamente aplicados, que nem ao fim-de-semana saíam, de tal forma era exigente o currículo e caras as propinas (não havia ninguém que pusesse sequer a hipótese de chumbar porque os pais se endividavam muitas vezes para os filhos frequentarem aquela e outras universidades). Há pouco tempo, pus os olhos num artigo sobre os livros que os estudantes das universidades de topo dos EUA – o MIT, Yale, Princeton, Harvard, Columbia, etc. – tinham de ler; e muitas das obras não constituíram grande surpresa: a República, de Platão, O Contrato Social, de Rousseau, a Odisseia, a Democracia na América, de Tocqueville, O Príncipe, de Maquiavel, além de Hobbes, Aristóteles, Thomas Kuhn, Samuel Huntington ou mesmo o mais recente Nobel da Economia Joseph Stieglitz. Mas em quase todas as listas aparecia um autor que, para dizer a verdade, não me dizia mesmo nada, um senhor chamado William Strunk, conhecem? Fui ver então por que diabo era aconselhado de leste a oeste, chegando à conclusão de que o seu livro The Elements of Style é na verdade uma pequena bíblia de estilo, considerada desde 1923 pela revista Time uma das cem obras mais influentes em língua inglesa; escrito originalmente em 1920 (mas actualizado posteriormente por E. B. White), compreende regras fundamentais para a composição de um texto, incluindo um rol de palavras e expressões que as pessoas costumam usar de forma errada e outro de palavras que a maioria escreve com erros. Embora já não esteja em idade de redigir trabalhos universitários, hei-de espreitá-lo para ver se ele pode ajudar alguns escritores mais jovens a fazer melhor.