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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

07
Mar16

Embrulho de luxo

Maria do Rosário Pedreira

O Manel contou-me que, quando era jovem, muitas editoras portuguesas encomendavam a realização das capas dos livros a artistas e pintores conhecidos e que isto não acontecia apenas com obras de autores importantes, mas também com livros que, à partida, tinham menos prestígio junto do público, como alguns romances policiais publicados na famosa colecção Vampiro, livros de bolso e vendidos a um preço módico. A mim não me ocorreria comprar hoje um livro só por causa da capa (talvez por ser uma insider do mundo editorial e saber que às vezes a capa não espelha exactamente o que é o livro); mas fui recentemente surpreendida por uma colecção de livros que está a ser vendida com o jornal Público a partir do final de Fevereiro chamada justamente Quem Vê Capas Vê Corações, que reúne doze volumes cujas capas originais foram uma obra-prima de inovação e arte, desenhadas por gente que sabia da poda muito antes da invenção do marketing. A série inclui romances de Erich Maria Remarque ou José Rodrigues Miguéis, a par de textos de teor mais ensaístico como Novo Mundo, Mundo Novo, de António Ferro (com capa do pintor modernista Bernardo Marques) ou mesmo literatura juvenil, como Histórias da Minha Rua, de Maria Cecília Correia, com capa e ilustrações de Maria Keil. Belas obras literárias com capas icónicas, em suma. Deixemo-nos tentar pelo embrulho para chegar ao miolo…