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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

15
Mar16

Sem título

Maria do Rosário Pedreira

Em matéria de livros, diz-se que um bom título é meio caminho andado para atrair leitores e alcançar o sucesso, mesmo que frequentemente os atraídos possam sentir que foram ao engano. Há escritores que já têm título antes de começarem a escrever os seus romances – e quiçá os escrevam por causa daquele título fenomenal – e outros que, terminada a obra, ainda não têm a mais pálida ideia de como chamar-lhe. Às vezes, finda a leitura, ficamos perplexos com a escolha do título por parte do autor, de tal forma a achamos despropositada; e, em livros traduzidos, nem sempre conseguimos ser fiéis ao título original (lembro-me de que o romance A Child in time, de Ian McEwan, sofreu deste problema, pois «in time» é «no tempo» mas também «a tempo» e, em português, nenhuma expressão servia para traduzir ambas as coisas). Os títulos das canções, embora menos importantes do que os dos livros, porque é sobretudo pelo artista e o nome do álbum que o interessado compra música, também nos ficam na memória (nunca esqueço La Bohème, por exemplo, ou temas da minha juventude como Goodbye Yellow Brick Road). E, porém, misteriosamente, na pintura o título parece coisa de pouca monta e em muitos caso até dispensável. Se atentarmos ao número de obras de arte referidas como «sem título» ao longo dos tempos, chegaremos à conclusão de que é mesmo muito grande. Porque será?