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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Mar16

A realidade imita a ficção

Maria do Rosário Pedreira

Soube esta história por um amigo espanhol, que a publicou numa espécie de blogue que alimenta mensalmente e faz o favor de me enviar. O seu texto era sobre as lições de literatura do autor de Lolita numa universidade americana (e ele não considerava Nabokov um grande leitor, embora o considerasse um enorme escritor); mas foi curiosamente um assunto lateral que me prendeu a atenção. Todos já certamente ouviram falar de Robert Louis Stevenson, o autor de livros como a Ilha do Tesouro que, escrito ainda no século XIX, ainda continua a ser lido por muito boa gente e recomendado aos jovens de todo o mundo; e saberão (até porque o cinema é um bom veículo) que foi também autor da novela Dr. Jekyll e Mr. Hyde, a história de um médico que de vez em quando se transforma num monstro psicopata, assumindo uma figura física assustadora e praticando actos malignos. Pois acontece que Stevenson teve no fim da vida um derrame cerebral e ficou com o rosto deformado; e, segundo conta Nabokov nas suas conferências (ao que parece com cumplicidade e ternura), o pobre escritor ficou convencido de que sofrera uma transformação igual à da sua personagem… Um caso em que, pelos vistos, a realidade imitou a ficção.