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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Mai16

À pressa

Maria do Rosário Pedreira

Gostamos de dizer que em Portugal se deixa tudo para a última da hora; mas, tanto quanto leio numa notícia do Público citando o diário espanhol El País, pelos vistos é um hábito ibérico: o espólio do poeta e dramaturgo Federico García Lorca (1898-1936) teve de ser classificado a mata-cavalos para não sair de Espanha… Era suposto a Fundação que o alberga (quase 20 000 documentos, entre manuscritos, partituras assinadas, cartas, desenhos originais, e ainda mais de uma centena de livros da biblioteca pessoal de Lorca, com dedicatórias dos autores) construir um centro García Lorca em Granada, mas a data prevista para a inauguração teve de ser cancelada por causa de dívidas pesadas à construtora quer da própria fundação quer do poder local… Chegou a estar na mesa a possibilidade de o espólio ser vendido em parcelas a estrangeiros para a Fundação recuperar capital, mas a Secretaria de Estado da Cultura espanhola não teve remédio senão chegar-se à frente e resolver esta situação que considerou «drástica». Lorca foi uma das figuras mais importantes do início do século XX espanhol, amigo, por exemplo, de Dalí, de quem possuía quadros, ou do cineasta Buñuel. Parece que, para já, se remediou o pior.