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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Mai16

Bitolas

Maria do Rosário Pedreira

Apanho uma boa citação no blogue da revista LER e trago-a para aqui: «A crítica? Ela é sobretudo mal fundamentada e mal escrita. É pegar ou largar. Louvores, grandes frases na capa do livro? Irrelevante. Na verdade eu não entendo muitos dos comentários sobre os meus livros. Os meus amigos não costumam lê-los. Devem achá-los deprimentes. Não me importo. Eu acho que a maioria dos escritores são monomaníacos; o remédio é ir em frente. Continuar.» A frase pertence à romancista Anita Brookner, falecida em Março deste ano, e é da última entrevista que deu. Concordando ou não, fez-me lembrar uma resposta de João Ricardo Pedro, o autor de romances como O Teu Rosto Será o Último e Um Postal de Detroit quando há duas semanas fomos a Leiria e uma espectadora lhe perguntou o que sentia quando lia as críticas aos seus livros. O escritor disse que lhe afagavam o ego quando eram boas, claro, mas que quando escrevia não era nos críticos que pensava, mas nos mestres, os Calvinos, os Borges, os Roths e muitos mais. Olhava para cima, como ele disse, a saber que tinha de ser humilde, por um lado, mas, por outro, de fazer dessa gente – e não dos críticos – a sua bitola…