Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

29
Jun16

A dama e os vagabundos

Maria do Rosário Pedreira

O nome Rotschild diz-lhe alguma coisa? Claro que sim. Uma família de judeus milionários que andam na Europa há muito multiplicando o seu dinheiro, gastando em arte e, em alguns casos, ajudando quem precisa filantropicamente. O livro de que hoje falarei – A Baronesa – pode enganar-vos pela capa (parece muito mais cor-de-rosa do que é) e foi escrito por uma Rotschild, Hannah, a directora da National Gallery e também escritora. Conta a história de Nica, a baronesa do título, sua tia-avó, excêntrica e corajosa num tempo em que as mulheres – especialmente as Rotschild – estavam guardadas para se tornarem apenas esposas perfeitas. Nica, depois de um casamento com um austríaco nascido em França, depois de trabalhar durante a Segunda Guerra Mundial ao lado dos homens, pilotando, inclusivamente, aviões, depois de ter cinco filhos, ouviu uma música de Thelonious Monk e virou do avesso a sua vida. Largou tudo, rumou aos Estados Unidos, procurou o génio do jazz e tornou-se sua protectora, tendo de lidar com o preconceito (uma branca rica de peles e pérolas conduzindo um Bentley descapotável com negros lá dentro não era muito bem aceite na altura), com a ameaça de cadeia (para não prejudicar a carreira de Monk, confessou que a droga encontrada pela polícia no seu carro era dela), com a solidão em que a deixaram depois de ajudar toda a gente, com a separação de alguns membros da família. A sobrinha-neta resgata-a neste livro altamente recomendável, que nos ensina muito sobre a família Rotschild, sobre a vida na Europa e nos EUA entre os anos 30 e os anos 80, sobre o mundo do jazz e a toxicodependência, sobre a coragem de Nica, uma grande mulher. Vale muito a pena!