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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

19
Jul16

Vamos ler um fadinho?

Maria do Rosário Pedreira

Aqui há uns dez anos, desafiaram-me para escrever as minhas primeiras letras de fado. A princípio, foi difícil: o espartilho da métrica e da rima era um mar menos livre do que aquele em que me acostumara a nadar, e as primeiras tentativas levaram dias e dias a ser concluídas. Mas, de repente, foi como um regresso à poesia que escrevia na adolescência e funcionou um pouco como o andar de bicicleta que, segundo dizem, nunca se desaprende. Nunca mais parei... Escrevo sempre para pessoas que me pedem e muito raramente para ninguém, ou seja, é raro fazer uma letra só porque sim. Mas admiro quem as escreva assim no abstracto, sem nem saber se virão a ser cantadas, e sei de um livrinho de letras de fado – Fado Maior, de Hélder Joaquim Gonçalves – que é justamente um conjunto de poemas para fados com melodias tradicionais ainda não cantados, mas, curiosamente, com a indicação da melodia que os poderia acompanhar. Uma vez que tantos fadistas cantam hoje cá dentro e lá fora, se alguns quiserem actualizar o seu reportório, têm neste livrinho muito com que se entreter...