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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Set16

De pequenino

Maria do Rosário Pedreira

Embora esteja convencida de que há uma certa dose de acaso no facto de alguém gostar de ler (é uma lotaria, um clique, e pode nunca acontecer o casamento entre livro e leitor ser tão bom que se queira continuar naquela relação), é também sabido que os bons hábitos devem ser criados na infância e que, por isso, a escola tem de ser uma das principais responsáveis por passar a ideia de que a leitura é importante e contribui para o desenvolvimento individual e a aprendizagem do mundo. No Paraná (Brasil), uma escola evangélica (com o nome Martin Luther, vejam lá) resolveu, por isso, evocar a importância dos livros de uma forma original e curiosa, rodeando o espaço escolar de um muro integralmente constituído por enormes lombadas de livros que podem ser apreciadas por quem passa na rua. De forma bastante democrática, inclui livros de grande tiragem e não tanto sumo (como, por exemplo, o best seller A Culpa é das Estrelas) ao lado de clássicos para a infância, como As Crónicas de Narnia, de C. S. Lewis, que há muitos anos foram publicadas numa editora em que trabalhei e que, por isso, li na íntegra, achando que a miudagem só poderia gostar das aventuras daqueles garotos que entram no armário e descobrem lá dentro uma porta que dá para um mundo fantástico. Não sei se não seria mais vantajoso virar as lombadas para o interior da escola, mas, pelo menos, a ideia é gira. E talvez haja meninos cujas mães digam para esperarem todos os dias por elas diante de um livro distinto, levando-os a aprender os nomes de tantos autores e títulos diferentes. Ora vejam a foto abaixo e digam lá se não é um muro digno de respeito.

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01
Set16

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Ora então sejam bem-vindos ao blogue depois deste mesinho de férias. As minhas foram boas, embora não tenha lido tanto quanto gostaria, pois estive de volta de um projecto de que oportunamente vos falarei (nada de exclusivamente meu, porém, não vão pôr-se já a pensar que tenho livro de poesia novo). E agora tenho em mãos um calhamaço de mais de 600 páginas, de que o nosso António Luís Pacheco (e outras pessoas) disse maravilhas – O Filho, de Philipp Meyer, um romance a que a crítica chamou, entusiasticamente, «um épico sobre o Oeste americano», obra que conta a história de uma família de pioneiros – os McCullough – ao longo de mais de um século, entre 1800 e picos e o século xxi, desde que eram criadores de gado ameaçados pelos índios até se tornarem exploradores de petróleo. Ainda estou a pouco mais de cem páginas do início, por isso, não vou adiantar grande coisa, a não ser que as personagens são muitas e fortes (dos dois sexos) e que os narradores também parecem multiplicar-se (três, pelo menos), o que, mesmo assim, não confunde grandemente o leitor. Hoje é só mesmo para pôr o dedo no ar aqui no Horas Extraordinárias – e não esperem grandes novidades esta semana, que há muito trabalho para pôr em dia e dificilmente verei o fundo ao tacho tão cedo. Custos de ter estado a descansar em Agosto, mas tinha de ser.

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