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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

06
Out16

Recessão literária

Maria do Rosário Pedreira

Depois de um presidente como Obama, que representou seguramente uma mudança de paradigma na presidência dos EUA, é difícil aceitar que um dos candidatos seja agora alguém muito próximo de uma caricatura ou de um personagem de BD. Mas a explicação para a ascensão de Donald Trump à posição de poder assumir os destinos da nação mais importante do mundo pode talvez explicar-se por um certo grau de ignorância arrogante de quem o apoia (Richard Zimler contou-me que «intelectual» na América é para muitos um insulto), ignorância que quiçá  se prende com uma queda vertiginosa dos índices de leitura dos americanos. Leio num pequeno artigo que existe uma «recessão literária» (gosto deste termo) nos Estados Unidos (eu diria que não é só lá) e que os números de leitores de literatura (mesmo que na categoria se incluam livros como As Cinquenta Sombras de Grey), que tinham aumentado entre 2002 e 2008, têm vindo a cair desde esse ano até níveis bastante inesperados... Só 36% dos homens lêem contos, romances, poemas ou teatro, enquanto 50% das mulheres os consomem; os que têm formação superior compram duas vezes mais livros do que os que apenas acabaram o Secundário. Não há uma diferença significativa entre leitores jovens ou mais velhos, lendo todos mais ou menos o mesmo número de títulos. A principal razão apontada pelos autores da investigação para este decréscimo é o tempo gasto com as apps do iPhone e as séries de TV... Uma época demasiado rápida, na qual é difícil conseguir tempo e concentração para ler literatura.