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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

24
Nov16

Leitores cegos

Maria do Rosário Pedreira

Tenho um grupo de amigos desde há muito, e uma dessas amigas, que tem um terrível humor negro, um dia decidiu inventar que todos nós iríamos envelhecer mal – excepto ela, evidentemente, que ficaria generosamente a tomar conta dos outros... A mim vaticinou-me uma espécie de cegueira progressiva (ela lá sabia que eu, sem ler, não conseguiria ser feliz); e, não contente com isso, ameaçou que, mesmo que eu aprendesse a ler livros em braille, mos passaria a ferro se eu me portasse mal… Com amigos assim, quem precisa de inimigos? Mas não se escandalizem, fazia tudo parte de uma brincadeira de velhos amigos (e garanto-vos que rimos até já não podermos com dores de barriga). Lembrei-me dela, aliás, por ler que a Secretária de Estado da Inclusão de Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, ela própria cega, prometeu que tudo fará para que no Plano Nacional de Leitura, mais cedo ou mais tarde, sejam incluídos livros em braille, uma vez que o PNL ainda não abrange «crianças invisuais» e estas têm tanto direito a ler como quaisquer outras. Uma boa decisão, digo eu (de que até poderei beneficiar se os vaticínios da minha amiga se concretizarem).