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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

23
Out13

Abstenção

Maria do Rosário Pedreira

Rui Zink publicou recentemente um artigo de opinião no jornal Público sobre a falta de crença de muitos jovens na democracia, jovens que, por isso, não iam às urnas (e que ele, como bom democrata, aconselhava logicamente a mudar de atitude). Não creio, mesmo assim, que a falta de fé na democracia seja a única causa da abstenção entre os jovens. Um dia destes, na FNAC do Chiado, estávamos em vésperas de eleições autárquicas, o Manel ouviu uma conversa entre dois rapazes que reproduzo aqui:

– Ó pá, tu amanhã vais votar?

– Eu? Não, não tenho pachorra. E tu?

– Eu tenho de ir, a minha mãe obriga-me.

– Obriga-te como?

– Ela é funcionária pública e quer que eu vá votar num tipo qualquer que é bom para ela.

– Ah, mas então porque é que não votas por SMS?

– Acho que não se pode.

– Hum... Que seca, pá.

Não vejo bem, em primeiro lugar, como é que um voto nas autárquicas interfere com decisões sobre leis que possam beneficiar ou defender funcionários públicos, mas nem é isso que está em causa. O ir votar para estes jovens tem peso de coisa chata – e o pior é que estão num espaço cultural, pelo que era de esperar que tivessem um pouco mais de informação e, sobretudo, de sentido crítico e vontade de mudança. Enfim, quantos casos destes haverá que vão fazer crescer eternamente os números da abstenção?

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