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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

29
Out13

Prémios para todos

Maria do Rosário Pedreira

Recentemente, li um muito bem pensado artigo de Hélder Macedo no Jornal de Letras a propósito de prémios literários. Dizia o romancista e professor no King’s College de Londres que se tornou banal a prática do «toma lá, dá cá» e que estatísticas com cerca de dois anos mostravam que certo autor integrara cerca de 80 júris e recebera uns vinte prémios, o que possivelmente queria dizer que nos anos em que não fora jurado fora premiado. Esta sede de ganhar, segundo o autor do artigo, prendia-se também com o facto de em Portugal o mercado ser pequeno e não se poder viver apenas da escrita, procurando-se uma fonte de receitas suplementar nestes concursos literários (o que também explica porque alguns poetas têm livros novos todos os anos – os direitos de autor das edições de poesia são manifestamente reduzidos, mas o valor de um prémio, e há muitos, pode compensar essa pequena quantia). No entanto, Hélder Macedo propõe que os prémios literários sirvam sobretudo de incentivo aos escritores mais jovens – e, a este respeito, refere que os finalistas do Booker Prize deste ano incluíam apenas um escritor conhecido entre seis. A prática não é realmente muito comum em Portugal, onde durante dezenas de anos ganharam quase sempre os mesmos escritores; mas, olhando para listas de finalistas de há um ano a esta parte, nas quais figuram nomes como os de Afonso Cruz ou Ana Cristina Silva, acredito que as coisas estejam a mudar. E não me parece que esses autores tenham feito, eles próprios, parte de nenhum «toma lá-dá cá».

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