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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Nov13

Saramago africano

Maria do Rosário Pedreira

O Prémio Literário José Saramago foi instituído pela Fundação Círculo de Leitores no ano em que o escritor venceu o Nobel da Literatura. Não sei se sabem, mas foi o Círculo de Leitores que, quando Saramago ainda dava os primeiros passos na escrita, lhe proporcionou as condições necessárias à execução de um projecto moroso e exigente que deu origem ao livro Viagem a Portugal (além de publicar em versão Clube do Livro todas ou quase todas as suas obras). Este prémio, que visa galardoar romances publicados em língua portuguesa de autores com idade não superior a 35 anos, já tinha contemplado portugueses (Paulo José Miranda, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, valter hugo mãe, João Tordo) e duas brasileiras (Adriana Lisboa e Andrea del Fuego), mas este ano foi muito justamente atribuído a Ondjaki, o primeiro africano da lista, com o romance Os Transparentes. Apesar de ter dois autores a concurso, fiquei muito contente com a decisão. Conheço Ondjaki há muitos anos e, além de admirar o seu talento, considero-o uma pessoa às direitas: bem formado, generoso, extremamente afável e, além disso, muito bem-disposto. Só tive pena de que, num jornal, alguém tivesse tido a ideia triste de o comparar a Cavaco Silva só porque, no seu discurso de recepção do prémio, não se referiu a Saramago, preferindo falar da sua Angola, a quem dedicou o galardão. Uma rasteira que, se o conhecessem melhor, não lhe pregariam.

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