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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

28
Nov13

Sex symbol infantil

Maria do Rosário Pedreira

Agora, que o Natal se está a aproximar, somos brindados a toda a hora com a publicidade do Continente, que escolheu como uma das suas bandeiras para atrair meninos aos brinquedos uma fêmea de hipopótamo rosada e gorducha que dá pelo nome de Popota. Não sei quem criou o boneco e o vestiu e despiu de mil maneiras diferentes desde que apareceu, nem quem inventa as coreografias dos complicados bailados em que ela sobressai à frente de um pelotão de dançarinos. Na verdade, não me interessei o suficiente para o descobrir e deixo isso para quem seja mais curioso do que eu. Interessava-me, mesmo assim, que me explicassem por que raio uma figura que se destina a convidar os mais pequeninos a escolherem os seus presentes naquela grande superfície, e não noutra, tem contornos de mulher fatal, lânguida e sexy, usando decotes generosos, rachas nos vestidos até à anca ou mini-saias do tamanho de cintos e toda uma parafernália de adereços que ficariam melhor numa personagem de BD para adultos. A concorrente mais directa da Popota, que também não é grande coisa como desenho e tem um nome que não lembra ao careca (Leopoldina), tem a vantagem de não ser obesa (o que, pedagogicamente, é mais interessante) e fala do «mundo encantado dos brinquedos». Com cara de pássaro, é possível que voe, o que é outra vantagem, e tem qualquer coisa de tia simpática, capaz de contar histórias ao deitar. Mas não sei se as crianças gostam mais dela, se da bucha que se bamboleia no palco e usa cai-cai. Com tanta roupa dourada e prateada à venda nas lojas de criança, talvez seja eu que estou a ficar bota-de-elástico.

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