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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Dez13

Hermanos

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui falei de alguns livros de Adolfo García Ortega (autor de, entre outros, O Comprador de Aniversários, um pequeno grande romance sobre uma vida em Auschwitz), mas talvez nunca tenha dito que ele é igualmente um grande editor que trabalha na Planeta, em Espanha. Uma noite, há uma década, durante a Feira do Livro de Frankfurt, encontrámo-nos para jantar na mais bonita praça da cidade e, sabendo da incapacidade proverbial dos espanhóis para nos perceberem, toda a noite me dirigi a ele no meu fraco castelhano, o que foi apesar de tudo eficaz, não tendo havido qualquer obstáculo à comunicação. Eu não esperava era que, à despedida, ele me brindasse com a surpreendente tirada: «Sabes, estou mesmo contente... Não fazia ideia de que percebia tão bem português.» Piadas à parte, foi no blogue deste amigo, Otra Galaxia/Club Cultura, que encontrei a seguinte afirmação de Borges: «Os espanhóis bem se podem gabar de falar lindamente espanhol, o problema é que não são capazes de escrever um bom livro.» (E eu aqui acrescentaria «Nem de falar outra língua», mas não é o momento para vinganças.) O destinatário da frase era um outro Adolfo, Bioy Casares, mais um grande escritor argentino, e a conversa ocorreu nos idos de 1962. Talvez hoje nos seja difícil concordar com ela (há muitos escritores espanhóis de grande qualidade, como Marsé ou Marías, por exemplo), mas o autor do blogue acaba por dizer que, «salvo raras excepções, efectivamente a literatura espanhola enlanguesce como o país, que há duzentos anos está metido numa campânula que ainda cheira a padres e príncipes». Será? Bem, posso não ter percebido bem... O meu espanhol, já se sabe, é muito fraco.

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