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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Jan14

Europa/América

Maria do Rosário Pedreira

Oh como eu gostava, quando era miúda, de ir a Espanha comprar caramelos e, de caminho, trazer tantas coisas que não havia cá em Portugal (jeans da marca Lois, por exemplo). Os países eram diferentes até no que lá se comprava e, com a globalização, perdeu-se também essa surpresa, porque agora as lojas são as mesmíssimas em toda a Europa (pelo menos, poupamos nas compras). E, se falamos de lojas, falemos de livros, pois, à excepção da França, que ainda é um tanto chauvinista e olha, deliciada, para o seu umbigo a cada rentrée, os livros são hoje os mesmos em todo o lado e, com as maravilhas do agenciamento literário e das novas tecnologias, até são publicados simultaneamente no mundo inteiro (foi, por exemplo, o caso de uma biografia ilustrada de Mandela que saiu há uns anos em edição mundial, em variadíssimas línguas, no mesmíssimo dia). Mas nem sempre isso sucedeu, e os autores milionários e campeões de vendas nos EUA (como John Grisham ou Stephen King, que atingiam 6 milhões de exemplares vendidos num mês ou dois) tinham dificuldade em perceber (ou os seus editores e agentes por eles) porque não ultrapassavam aqui em Portugal os 2000 exemplares vendidos, quando lá chegavam, claro, o que nem sempre acontecia (no Brasil, pelo contrário, tinham êxito garantido, que ali era a América que dominava os Top dos livros – e ainda é). Antepassados de Daniel Silva ou Dan Brown – que hoje toda a gente lê e vendem carradas – devem ter-se arrependido de não ter nascido para a escrita duas décadas mais tarde.

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