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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

28
Set10

Uma questão de ouvido

Maria do Rosário Pedreira

Quando Pinto da Costa começou a «dizer de que» e a «pensar de que» foi motivo de paródia em todo o lado; de tal modo que algumas pessoas, desconhecendo a língua que falam e escrevem, acreditaram que «de que» era um preciosismo e cortaram o «de» em todas as ocorrências em que, na verdade, era indispensável. Nos originais que todos os dias me vêm parar às mãos, estou sempre a encalhar nas ausências dos «de que» depois de verbos ou expressões como «aperceber», «ter medo», «estar convencido», «ter esperança», etc., e insiro eu própria o «de», com a esperança de que o autor aprenda com as minhas correcções. Porém, um dia destes, uma colega da Leya estava de cabeça perdida porque um dos seus autores (homem com muitos livros publicados) cortara, nas provas de um livro, todos os «de» que o revisor introduzira a seguir ao verbo «lembrar-se», dizendo que, simplesmente, não lhe soavam bem. Mesmo depois de lhe terem sido dadas as necessárias explicações, insistiu e quis que o livro fosse publicado sem eles. Bem sei que é o autor quem assina o livro, mas não deveria imperar a razão sobre o ouvido?

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