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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Out10

Desespero

Maria do Rosário Pedreira

Um dia destes, a olhar para as minhas estantes, apercebi-me de uma coisa assustadora: havia muitos livros que eu estava certa de ter lido e dos quais lembrava muito pouco ou coisa nenhuma. Já estou na idade em que me faltam os nomes dos actores que entraram em determinados filmes de que até gostei e, pior do que isso, na idade em que, quinze dias depois de ter visto um filme que não me agradou, já não sou capaz de recuperar senão vagos momentos da história. Isso até aguento. Mas com os livros fiquei preocupada, tanto mais que quero ainda ler todos os que puder e estou sem saber se, ao esquecer-me rapidamente deles, valerá realmente a pena lê-los. Ao mesmo tempo, sinto que a partir dos cinquenta entramos numa espécie de contagem decrescente, e não raro dou por mim a planear furiosamente leituras, com medo de que o tempo se acabe e eu não tenha conseguido pôr os olhos em metade do que queria. Disse-me recentemente alguém (o Manuel Jorge Marmelo, acho, mas com esta memória já não tenho a certeza) que, mesmo que estejamos sempre a ler desde pequenos, nunca, no tempo normal de uma vida, conseguiremos ultrapassar os três mil títulos. Não sei se haverá três mil livros imprescindíveis, claro, mas... como terão então feito aqueles que se gabam de ter mais de vinte mil volumes nas suas bibliotecas?

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