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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

29
Out10

O poderio alemão

Maria do Rosário Pedreira

No ano em que Portugal foi o país convidado da feira Internacional do Livro de Frankfurt, trabalhei como directora de publicações no escritório que organizou a presença portuguesa; fizemos vários livros nesse ano e tínhamos de estar constantemente em contacto com os nossos colegas da Alemanha que traduziam os textos para esclarecermos tudo até à exaustão. Embora tivesse aprendido alemão durante quatro anos, não tinha a noção de quão descritiva era aquela língua e que dificuldade sentiam no escritório de Frankfurt os tradutores para verterem para alemão textos aparentemente tão simples. Só para terem uma ideia, em Portugal temos as palavras “doente”, “hospital” e “ambulância” (todas de raízes diferentes) que, numa tradução literal, têm os correspondentes alemães “doente”, “casa do doente” e “carro do doente”... Numa tarde em que precisávamos de um texto sobre o stand de Portugal rapidamente traduzido, tivemos de andar com mensagens de fax para cá e para lá (sim, ainda era o tempo do fax) por causa da expressão “quiosque multimédia”. Parecia óbvio, mas para os alemães colocarem tudo numa palavra (ou em duas) tiveram de saber o formato exacto do quiosque, se servia café, se era de livre acesso, quantos computadores tinha e muitas outras ninharias que, pelos vistos, eram fundamentais para uma tradução correcta. Estivemos horas naquilo e, no fim, o resultado foi surpreendente: qualquer coisa como Kiosk multimedia (ou vice versa, agora já não me recordo). Tanta pergunta para quê?

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